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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

CÓDIGO TRIBUTÁRIO: DEBATER É PRECISO

(Artigo publicado na coluna semanal "Painel" que assino no jornal Diário de Araguari, edição de 28.12.2010)
 
CÓDIGO TRIBUTÁRIO: DEBATER É PRECISO

A polêmica instalada na cidade, em relação ao Projeto de Lei Complementar 007/2010, enviado pelo Poder Executivo para deliberação do Legislativo, merece uma reflexão.

A mania das administrações públicas, independente do governo de plantão, de elaborar projetos de interesse coletivo e impacto social e econômico, entre quatro paredes e enviá-los ao Legislativo no apagar das luzes do exercício fiscal, precisa ter fim. Em nome da cidadania.

Para não se levantar a velha cantilena de que, quem questiona atos do poder público está “contra” a administração ou faz “oposição”, resgato um fato histórico que dá a dimensão do quanto pode ser efetiva a participação da sociedade.

Nos idos de 2002, quando fazia parte de entidades como ACIA (vice presidente) e ADESA (diretor financeiro), tomamos conhecimento de situação similar. O governo municipal havia encaminhado ao legislativo um projeto de lei complementar, visando à alteração do Código Tributário Municipal, com importantes modificações, especialmente na majoração de alíquotas do ISSQN.

Como a deliberação ocorreria no mesmo dia, na última sessão legislativa do ano, organizamos uma representação e comparecemos à sessão: eu (ACIA), Luciano Rodrigues Siqueira (ADESA), Ramiro de Ávila (CDL) e o empresário Bruno Vieira.

Designado pelos demais representantes, ocupei a tribuna da câmara, onde questionei não o projeto (que por falta de publicidade desconhecíamos) mas a atitude, tanto do Executivo quanto do Legislativo, de tratar questão de tal envergadura sem ampla discussão com a sociedade. Que no final das contas é quem assume o ônus e paga a conta. Alguns vereadores de então, hoje compõem o legislativo. Outro deles, então líder do governo, é o atual vice-prefeito.

Ante nossa argumentação, os vereadores decidiram retirar o projeto de lei da pauta. Sem se dar por vencido, o governo municipal exigiu uma sessão extraordinária, para aprovação do projeto de lei. 

Retornamos à câmara, desta vez num grupo de aproximadamente 30 pessoas, entre lideranças de entidades, representantes de associações de bairro e cidadãos interessados. Pressionada, a Câmara recuou; e deixou a questão para ser deliberada em 2003.

Em 2003, aí sim, o governo municipal promoveu uma audiência pública, onde foram explicados os pontos de mudança e sua adequação à legislação federal. Fui o primeiro a opinar pela pertinência da proposta e a reconhecer que, enfim, o processo ocorrera de forma democrática e transparente. Apresentado ao legislativo, o projeto foi aprovado na noite de 24 de dezembro de 2003. Novamente, compareci à câmara e acompanhei a sessão. Sem prejuízo da ceia de Natal.

O que se espera, agora, é a mesma atitude da sociedade. Exigir publicidade e transparência. Debater, sem agredir e sem perder de vista o limite da civilidade e do respeito. Participar, sem fazer mera oposição política na contramão do interesse coletivo.

A cidadania agradecerá...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

CIDADANIA EM VERSOS

(Artigo enviado ao jornal Diário de Araguari, coluna "Painel", de 09.11.2010)

Arriscando mal traçadas linhas, lancei versos pela cidadania...

CIDADANIA EM VERSOS

Qualquer forma de (boa) ação
Mesmo tímida, pequena, pouco intensa,
Melhor que a nódoa da omissão
Que mancha uma nação que pensa/

No ideário do brasão de Minas
A intensidade do clamor que vem,
O Brasil espera de seus filhos
Libertas quae sera tamen/

Na indolência de nossa brejeirice
Condenamos o país à inanição,
Quedamos, num ato de tolice
Ante homens (e mulheres) de má reputação/

Sedimentar, de fato a liberdade
Tarefa que urge e nos chama,
Cidadania se impõe como verdade
A eliminar da rotina outro drama/

Corrupção, marca triste em nossa sina
Grassa impune, coisa vil,
Exigir do poder público mais decência
E mudar o futuro do Brasil.

Edilvo Mota / 08.11.2010