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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A arte de administrar pessoas

(Artigo publicado em minha coluna semanal "Painel", no jornal Diário de Araguari, edição de 23.02.2011)

A arte de administrar pessoas

Dentre os princípios da ciência administrativa, a gestão de pessoas é, sem dúvida, o mais complexo e se insere como a mais sutil tarefa de qualquer gestor.
Dos modelos que deram alicerce à teoria neoclássica da administração, um destaque especial para o modelo militar. Rígido, balizado em manuais, regulamentos e protocolos de conduta, o modelo militar de gestão destaca uma frase que, ouvida há longínquos 33 anos atrás, norteou meus passos na carreira profissional e na vida pessoal. Dizia um exemplar comandante militar: “mandar é fácil, comandar é difícil”.
A lógica daquele raciocínio é clara: quem administra utilizando exclusivamente a força da coação, da intimidação, da ameaça, pode até conseguir resultados imediatos. Porém, não cria na equipe o necessário sentimento de respeito e fidelidade aos princípios e valores da instituição. Consequentemente, o subordinado não pratica a disciplina consciente; que se traduz na execução das tarefas com correção e no cumprimento das normas, em decorrência da consciência de suas responsabilidades; e  não por medo de gritos, ameaças, punições ou ações de retaliação.
Quem, de fato, comanda, gerencia, administra, utiliza o conhecimento, o respeito na relação interpessoal e o exemplo de conduta para incutir nos comandados (subordinados hierárquicos) a certeza de que existem objetivos a cumprir, metas a atingir e resultados a produzir. A rigidez do controle, tão necessária para o sucesso de qualquer negócio, não necessita da truculência, do desrespeito ou da intimidação.
Em qualquer setor da atividade profissional, quem faz as coisas acontecerem são as pessoas. Portanto, sendo o mais importante ativo de qualquer instituição, o ser humano merece tratamento justo e respeitoso, dentro dos estritos limites do profissionalismo, da legalidade, da civilidade e da boa educação.
Pense nisso...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

MESTRE JUAREZ


(Artigo publicado em minha coluna semanal "Painel", no jornal Diário de Araguari, em 03.02.2011)

MESTRE JUAREZ
No período entre junho de 1996 a março de 1997, conclui meu  curso de especialização em Administração dos Serviços de Saúde, com foco em Saúde Pública e Administração Hospitalar, pela Universidade de Ribeirão Preto.
Além das disciplinas obrigatórias, constantes do currículo do curso, trouxe comigo para a eternidade as lições do coordenador do curso, professor Juarez de Queiroz Campos. Médico, advogado, doutor em Administração Hospitalar e Saúde Pública e escritor, o professor Juarez transformava suas aulas em saborosas histórias de vida.
Nas aulas sobre Direito em Saúde pontuava o respeito às normas sanitárias e administrativas e o correto registro de todas as atividades, como forma de salvaguardar entidade e profissionais. Nas aulas sobre Administração Hospitalar, Juarez ressaltava a importância da humanização na relação do gestor com toda a equipe de saúde. Priorizando a manutenção de um elo de parceria e apoio mútuo, baseada no respeito interpessoal e na rigorosa observância dos manuais e protocolos técnicos.
Os relatos de suas experiências como médico, administrador da Santa Casa de São Paulo, advogado e professor, foram fundamentais para nortear meus passos na gestão em saúde. E as lições de vida do esposo, pai e avô ilustraram a importância do equilíbrio entre razão e emoção, de forma a pautar as decisões do gestor entre a racionalidade administrativa e a atenção aos detalhes nas relações humanas no trabalho.
Notadamente, Juarez ressaltava o binômio competência/respeito como base da moderna administração.
Eis a verdadeira missão do mestre.
Transmitir conteúdo programático é fácil. Porém, orientar para a vida e para o equilíbrio no exercício profissional é tarefa para poucos.
Professor Juarez foi um desses poucos, na minha formação profissional.