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domingo, 16 de janeiro de 2011

Autoritarismo e atitude.

Colhi no baú, delicioso depoimento de Luís Fernando Veríssimo, publicado em 11.03.1970 ( e republicado em seu livro "Comédias da Vida Pública" em 1995), sobre a postura de seu pai, Érico Veríssimo, e do compadre Jorge Amado, em relação à censura prévia imposta por decreto pelo governo militar nos idos de 1970.


Diz o relato:


"Meu pai e Jorge Amado - dois escritores que se prezam, e mutuamente - mantêm uma correspondência frouxa mas persistente há vários anos. E são amigos desde o tempo em que, fugindo da polícia, Jorge se asilou em nossa casa, lá por volta de 39 ou 40. A correspondência e a amizade têm sobrevivido a alguns desentendimentos, todos de ordem política, e passageiros. Quando estourou esse negócio de censura prévia, o velho escreveu ao Jorge, contando a sua posição. Há poucos dias chegou a resposta, junto com alguns recortes de jornais baianos contendo declarações dos dois e a autorização de Amado para que as suas fossem reproduzidas na Imprensa daqui.
Para os jornais, Jorge disse que "o decreto que estabelece a censura prévia para livros e publicações é simplesmente monstruoso. Profundamente lesivo à cultura nacional, ele coloca o ato de criação literária sob a batuta da polícia. Chega a ser incrível de tão agressivo à vida intelectual. Não creio que exista um só escritor que não proteste contra tal decreto. Quem ficar calado, não merece o título de escritor".
Na carta complementa: "Evidentemente, não sujeitarei livro meu à censura. Prefiro deixar de publicar no Brasil. Estamos os dois de acordo".
A carta termina assim: "A casa vos espera. Temos flores e cigarras. E velhos corações amigos. Um abraço afetuoso do amigo de sempre, Jorge".


O que tem a ver esse relato com saúde?! Tudo.


Cultura, lazer e dignidade nas atitudes contra o autoritarismo, de toda ordem, nos garantem saúde mental. E evitam que a pequenez corroa nossas veias e contamine nosso sangue, levando a morte em vida ao coração e à alma.


Érico Veríssimo e Jorge Amado se notabilizaram como ícones da cultura nacional (e mundial), não somente pela qualidade - sublime - de seus textos; mas, também, pela postura que mantiveram como defensores da liberdade de expressão.


É essa postura que diferencia os homens dos ratos...










Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente

Érico Veríssimo 


"Acho que  mais terrível foi a degradação do caráter. Em relação a duas coisas. Você teve a tortura. Em segundo lugar, a ditadura institucionalizou a corrupção. Hoje, esse mal faz parte dos costumes."  Jorge Amado, em 1992, sobre as conseqüências da ditadura no Brasil.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

CENSURA??? Não!!!

Dias atrás, atendendo convite do apresentador Flávio Pires, concedi entrevista ao canal 15 de televisão, para o programa "Conexão". Apresentado por Flávio, o programa tem como foco especialmente a juventude araguarina.

Flávio pautou a entrevista, divida em dois blocos, da seguinte forma: no primeiro bloco, falamos de cidadania, controle social sobre as ações do poder público (empoderamento social), respeito às leis...

No segundo bloco, Flávio me provocou a falar sobre as eleições que se avizinham e sobre corrupção cometida por agentes políticos.

Discorri sobre esses temas sem dificuldades, criticando, de forma genérica, a má conduta de agentes políticos; porém, sem qualquer tipo de ilação. Lembrei que os picaretas não chegam ao poder sozinhos; eles são eleitos. E que o eleitor, como cidadão/contribuinte, tem o direito e o dever de fiscalizar a correta utilização do dinheiro público, fruto dos impostos que ele (cidadão) paga no cotidiano.

Nesta semana soube que algum (ou alguns) políticos com mandato não gostaram do teor da entrevista; e teriam questionado a direção do canal 15.

Às favas...

Se a carapuça serviu para alguém, eles que se sacudam e se acostumem a prestar contas de seus atos PÚBLICOS ao cidadão. E no espaço que tiver disponível, continuarei alertando a cada cidadão sobre seu papel de CONTRIBUINTE, mantenedor do orçamento público, e sobre a necessidade do efetivo CONTROLE SOCIAL sobre todas as ações da Administração Pública, notadamente sobre os atos de agentes públicos detentores de mandato eletivo. Se assim fosse, e o legislativo também exercesse DE FATO seu papel fiscalizador, não teríamos hospital fechado, desvio de eucaliptos, perseguição a servidores, enriquecimentos inexplicáveis, etc, etc...

Se todo agente político se esforçasse e desse uma lida básica na legislação da administração pública, teriam todos ciência de que o CONTROLE SOCIAL é mecanismo da democracia, revigorada (ao menos no papel) desde 1988, pela Constituição Federal e a legislação subordinada.

Preparo intelectual, serenidade para lidar com a cobrança da sociedade e transparência dos atos, são alguns dos atributos que todo agente político DEVERIA ter...