Mostrando postagens com marcador livros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador livros. Mostrar todas as postagens

domingo, 15 de maio de 2011

Homens, idéias e livros

HOMENS, IDÉIAS E LIVROS
(Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí...)

Matheus Ferreira, Jair José Ferreira e Edilvo Mota

No último sábado, 14/05/2011, tive a grata surpresa de encontrar meu amigo Jair José Ferreira e seu filho Matheus, na Livraria Saraiva, no Center Shopping de Uberlândia. Entre livros, confabulamos sobre negócios, estudos e política.

Jair fez carreira no Banco do Brasil, encerrando sua trajetória como gerente da agência Araguari, sua cidade natal. Convidado pelo então prefeito Marcos Alvim, ocupou as pastas das secretarias de Agricultura e Desenvolvimento, Gabinete e Governo, sempre com desembaraço e a competência que lhe são peculiares. Simultaneamente, concluiu o curso tecnólogo em Gestão em Agronegócios, na Unipac Araguari.

Atualmente, Jair assessora a diretoria da cooperativa de crédito rural Aracredi, onde também imprimiu de forma singular sua visão empreendedora. Estudioso voraz, Jair é um exemplo de dedicação e a prova de que não há limites para ampliação do conhecimento e o desbravamento de novos horizontes. Seus filhos Matheus e Aline seguem o exemplo do pai, como estudantes dedicados.

"Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n'alma
É germe — que faz a palma,
É chuva — que faz o mar."

Antônio Frederico de Castro Alves
(Espumas Flutuantes, 1870)

domingo, 16 de janeiro de 2011

Autoritarismo e atitude.

Colhi no baú, delicioso depoimento de Luís Fernando Veríssimo, publicado em 11.03.1970 ( e republicado em seu livro "Comédias da Vida Pública" em 1995), sobre a postura de seu pai, Érico Veríssimo, e do compadre Jorge Amado, em relação à censura prévia imposta por decreto pelo governo militar nos idos de 1970.


Diz o relato:


"Meu pai e Jorge Amado - dois escritores que se prezam, e mutuamente - mantêm uma correspondência frouxa mas persistente há vários anos. E são amigos desde o tempo em que, fugindo da polícia, Jorge se asilou em nossa casa, lá por volta de 39 ou 40. A correspondência e a amizade têm sobrevivido a alguns desentendimentos, todos de ordem política, e passageiros. Quando estourou esse negócio de censura prévia, o velho escreveu ao Jorge, contando a sua posição. Há poucos dias chegou a resposta, junto com alguns recortes de jornais baianos contendo declarações dos dois e a autorização de Amado para que as suas fossem reproduzidas na Imprensa daqui.
Para os jornais, Jorge disse que "o decreto que estabelece a censura prévia para livros e publicações é simplesmente monstruoso. Profundamente lesivo à cultura nacional, ele coloca o ato de criação literária sob a batuta da polícia. Chega a ser incrível de tão agressivo à vida intelectual. Não creio que exista um só escritor que não proteste contra tal decreto. Quem ficar calado, não merece o título de escritor".
Na carta complementa: "Evidentemente, não sujeitarei livro meu à censura. Prefiro deixar de publicar no Brasil. Estamos os dois de acordo".
A carta termina assim: "A casa vos espera. Temos flores e cigarras. E velhos corações amigos. Um abraço afetuoso do amigo de sempre, Jorge".


O que tem a ver esse relato com saúde?! Tudo.


Cultura, lazer e dignidade nas atitudes contra o autoritarismo, de toda ordem, nos garantem saúde mental. E evitam que a pequenez corroa nossas veias e contamine nosso sangue, levando a morte em vida ao coração e à alma.


Érico Veríssimo e Jorge Amado se notabilizaram como ícones da cultura nacional (e mundial), não somente pela qualidade - sublime - de seus textos; mas, também, pela postura que mantiveram como defensores da liberdade de expressão.


É essa postura que diferencia os homens dos ratos...










Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente

Érico Veríssimo 


"Acho que  mais terrível foi a degradação do caráter. Em relação a duas coisas. Você teve a tortura. Em segundo lugar, a ditadura institucionalizou a corrupção. Hoje, esse mal faz parte dos costumes."  Jorge Amado, em 1992, sobre as conseqüências da ditadura no Brasil.