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terça-feira, 17 de maio de 2011

MUITO BARULHO POR NADA

(Artigo publicado na coluna "Painel", no jornal Diário de Araguari)

MUITO BARULHO POR NADA

Há poucos meses foi anunciado, de forma retumbante, que a fiscalização sobre os trios elétricos portáteis (também conhecidos com automóveis e pick-ups com som automotivo) seria ostensiva. Tanto por parte da Polícia Militar, quanto por iniciativa da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Meses passados, a cidade continua sendo importunada pelo misto de poluição sonora e mau gosto musical, em intensidades e volumes que desafiam, além das autoridades constituídas, o sagrado direito ao silêncio e o livre-arbítrio de quem prefere não conviver com lixo sonoro.

A liberdade de expressão deve respeitar os limites do bom senso. E a ninguém é garantido o direito de importunar o silêncio e o gosto musical alheio.

Passa da hora - já passou faz tempo, aliás – de resgatar o exercício da autoridade, em nome do interesse coletivo e da saúde auditiva da população. A sociedade exige que o silêncio seja respeitado, sem prejuízo daqueles que preferem optar pelo barulho como forma de “diversão”.

Que o façam, então, longe dos nossos ouvidos.

edilvomota@hotmail.com
http://saudenatela.blogspot.com

terça-feira, 27 de julho de 2010

OS LIMITES DA LIBERDADE

(Artigo publicado em minha coluna semanal "Painel", no jornal Diário de Araguari, em 27.07.2010)


Retomo neste artigo a questão da poluição sonora, que em Araguari beira às raias do absurdo e do intolerável, clamando por uma ação urgente das autoridades competentes.

A proliferação de carros, pick-ups e afins trafegando pelas ruas com som em altíssimo volume, atenta contra a saúde auditiva e a paciência de todos nós. Afora o (discutível) mau gosto das músicas, a invasão de privacidade coloca em foco uma questão dialética: até onde a presumível liberdade individual pode atentar contra o direito coletivo?

O que para mim (com certeza) é mau gosto, para outros pode ser o mais refinado exemplo de expressão artística. Porém, a convivência em sociedade nos impõe certos limites. Ninguém pode, sob alegação do direito de expressão, obrigar aos demais cidadãos a ver, nem ouvir aquilo que não querem.

No último sábado assisti a dois exemplos da nova onda de terror: pela manhã, caminhando pelo centro da cidade, observei vários veículos transitando com os intragáveis “bate-estacas” em altíssimo volume; inclusive disparando alarmes de outros carros estacionados. À tarde, em casa, enquanto jogava água nas plantas, vi (e ouvi) uma pick-up passar pelo menos duas vezes tocando o que seria uma música (algo parecido com “vô ti pegá/vô ti pegá”) em alto volume , enquanto o motorista falava ao celular e dirigia, ao mesmo tempo. Valha-me Deus; que alguém goste desse tipo de coisa eu até aceito, embora não compreenda. Mas me obrigar a ouvir esse lixo também já é um acinte.

Um bom exemplo para acabar com essa poluição sonora seria algumas lojas comerciais abolirem de suas portas as caixas de som, todas reproduzindo ao mesmo tempo uma série de músicas que se misturam aos “bate-estacas”, buzinas e etc. Não faço idéia do quanto isso possa alavancar vendas ou, no sentido contrário, irritar e afastar potenciais compradores.

Outra ação imediata seria a revisão do código de posturas do município. Afinal, é justamente para cuidar do interesse coletivo (incluindo a saúde auditiva) que a população (exceto os vendedores de voto) elege seus representantes e sustenta, com uma alta carga tributária, o funcionamento do poder público.

Boa semana !

edilvomota@hotmail.com
http://saudenatela.blogspot.com