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terça-feira, 17 de maio de 2011

MUITO BARULHO POR NADA

(Artigo publicado na coluna "Painel", no jornal Diário de Araguari)

MUITO BARULHO POR NADA

Há poucos meses foi anunciado, de forma retumbante, que a fiscalização sobre os trios elétricos portáteis (também conhecidos com automóveis e pick-ups com som automotivo) seria ostensiva. Tanto por parte da Polícia Militar, quanto por iniciativa da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Meses passados, a cidade continua sendo importunada pelo misto de poluição sonora e mau gosto musical, em intensidades e volumes que desafiam, além das autoridades constituídas, o sagrado direito ao silêncio e o livre-arbítrio de quem prefere não conviver com lixo sonoro.

A liberdade de expressão deve respeitar os limites do bom senso. E a ninguém é garantido o direito de importunar o silêncio e o gosto musical alheio.

Passa da hora - já passou faz tempo, aliás – de resgatar o exercício da autoridade, em nome do interesse coletivo e da saúde auditiva da população. A sociedade exige que o silêncio seja respeitado, sem prejuízo daqueles que preferem optar pelo barulho como forma de “diversão”.

Que o façam, então, longe dos nossos ouvidos.

edilvomota@hotmail.com
http://saudenatela.blogspot.com

segunda-feira, 10 de maio de 2010

DESRESPEITO EM ALTO E MAU SOM

(Publicado em minha coluna semanal "Painel", no jornal Diário de Araguari, em 11.05.2010)


Inobstante a liberdade de expressão, a convivência em sociedade impõe a observância de limites, notadamente em relação ao respeito aos demais cidadãos. E num país que ainda engatinha em sua democracia, a população desinformada, e em parte mal formada dentro de casa, se arvora num exercício de liberdades que ultrapassa – em muito – a barreira do tolerável.

Como se não bastassem as péssimas condições de trafegabilidade, a desorganização do fluxo, a sinalização inadequada, a imprudência de motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres, ainda temos que conviver, no trânsito urbano, com outro dissabor: o maldito som automotivo.

Veículos transformados em boates ambulantes inundam o espaço urbano de barulho, dia e noite. Os inconvenientes bate-estacas, de gosto musical duvidoso, são uma espécie de estupro sonoro, denotando, além do péssimo gosto do conteúdo, um ultrajante desrespeito, em alto e mau som, à nossa saúde auditiva.

Os índices de civilidade de uma cidade, e por conseqüência de um país, dão a exata dimensão do perfil de seu povo. Numa sociedade acostumada a conviver placidamente com a afronta aos mais elementares princípios da cidadania, o barulho automotivo é somente mais um componente do caos urbano.

E, pasmemos todos, nada se faz para coibir essa intolerante prática. Uma espécie de esporte radical praticado por quem necessita extrapolar frustrações através do barulho, certamente por absoluta falta de capacidade de comunicação.

Esses panacas urbanos são fruto da mediocridade e do culto ao supérfluo, incutidos principalmente por programas televisivos que transformam seres humanos em coisa semelhante a bovinos. Idolatria a ex-BBB’s, por exemplo, dão a medida do nível de empobrecimento mental de parte da população. Enquanto isso, a corrupção grassa e, paradoxalmente, os canalhas que usurpam o dinheiro de nossos impostos recebem o mesmo tratamento de estrela dos ex-BBB’s.

Simbolicamente, há dias em Goiatuba, interior de Goiás, uma turma de formandos em Administração e Gestão Empresarial “vendeu”, por 6 mil reais, o patronato de sua formatura a ninguém menos que Delúbio Soares. Ele mesmo, o ex-tesoureiro do PT, responsável por comandar o famigerado mensalão, por cujos dutos foram roubados milhões de reais de dinheiro público (sem que ninguém, nem o presidente da República, soubesse). Corroborando a tese da bovinização geral e da conivência da sociedade com os canalhas, coube a Delúbio o discurso para os formandos e mais de quatrocentos presentes. O tema? ÉTICA!

Durma-se com um barulho desses. Ou, diria: haja “som automotivo”.

Boa semana (em silêncio) a todos.

edilvomota@hotmail.com
http://saudenatela.blogspot.com/