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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Ameaça à Saúde Coletiva: lixo a céu aberto

O jornal GAZETA DO TRIÂNGULO trouxe hoje reportagem denunciando o descaso com a saúde da população de Araguari, exposta a riscos no bairro Independência por conta da "Central de Entulhos" onde o lixo é abandonado e permanece sem qualquer tratamento ou cuidado, visando à proteção dos moradores.
    Foto: Gazeta do Triângulo

Diz a matéria:

"De acordo com o ex-presidente de bairro Rodolfo Moreira de Almeida Junior a prefeitura fez um acordo com a associação de moradores após diversas reclamações e transtornos. “Na época pedimos que o problema fosse resolvido, iriam limpar o local e loteá-lo acabando com a central naquele lugar, porém a última limpeza do mesmo aconteceu há nove meses e mais nada foi feito,” explicou.


“Na época em que eu era o presidente do bairro, os carroceiros depositavam entulho, porém era uma coisa organizada. De um tempo para cá está abandonado e servindo de focos de mosquitos da dengue, animais mortos sem nenhuma serventia,” disse."

Enquanto o governo municipal alardeia a construção de novos prédios como a "salvação" da Saúde, a população fica exposta a riscos e agravos à saúde, por conta da falta de ações destinadas ao reordenamento urbano, visando à promoção e proteção da saúde do cidadão.

Lei 8080/90 (Lei Orgânica da Saúde): 
Art. 3º - A saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais; os níveis de saúde da população expressam a organização social e econômica do País.

Parágrafo Único. Dizem respeito também à saúde as ações que, por força do disposto no artigo anterior, se destinam a garantir às pessoas e à coletividade condições de bem-estar físico, mental e social.

sábado, 21 de maio de 2011

DOENÇAS NEGLIGENCIADAS

Carlos Medicis Morel*

Artigo discorre sobre o círculo infernal das chamadas doenças negligenciadas

Desde que a Fundação Rockefeller lançou, nas décadas de 70/80, o programa The Great Neglected Diseases of Mankind (As Grandes Doenças Negligenciadas da Humanidade), o conceito "doenças negligenciadas" vem evoluindo e sofrendo mudanças - às vezes graduais ou incrementais, às vezes radicais e transformadoras. Para Ken Warren, então diretor do programa, enfermidades como esquistossomose, doença de Chagas e malária eram negligenciadas porque não recebiam recursos suficientes para a pesquisa biomédica, o que geraria falta de conhecimentos e informações para o desenvolvimento de vacinas, medicamentos e diagnósticos.

As doenças negligenciadas atingem sobretudo países em desenvolvimento,
com precária qualidade de vida (Foto: Gutemberg Brito)

Esta constatação levou à criação, pelo setor público, de programas destinados a financiar e estimular pesquisas sobre estas doenças, também conhecidas como doenças tropicais ou, ainda, doenças tropicais negligenciadas. Como exemplos marcantes destes programas podemos citar, no Brasil, o Programa Integrado de Doenças Endêmicas (Pide), do CNPq, ativo de 1973 a 1986 e, em nível internacional, o Programa de Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais (denominado TDR, de Tropical Diseases Research), criado em 1975, com sede na Organização Mundial da Saúde (OMS) em Genebra e co-patrocinado por PNUD, Unicef, Banco Mundial e a própria OMS, e atuante até os dias de hoje.

No limiar do novo milênio, os Médicos Sem Fronteira, ao ganharem o Nobel da Paz em 1999, decidiram investir os recursos deste prêmio na criação de uma nova entidade, a Drugs for Neglected Diseases Initiative (DNDi, Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas). A DNDi, inaugurada em 2003, teve como fundadores os Médicos Sem Fronteira, o Instituto Pasteur de Paris, a Fiocruz, o Instituto de Pesquisas Médicas do Quênia (KEMRI), o Conselho para Pesquisas Médicas da Índia (ICMR) e o Ministério da Saúde da Malásia.

Sua visão está baseada em um outro conceito: o de que estas doenças tropicais são negligenciadas pelas grandes multinacionais farmacêuticas, mais atentas aos mercados dos países ricos e portanto mais preocupadas com câncer, diabetes, hipertensão, disfunção erétil. Segundo a campanha Acesso a Medicamentos, dos Médicos Sem Fronteira, só estas doenças "globais" estariam no radar da "Big Pharma", ficando então estagnado o desenvolvimento de novos medicamentos e vacinas contra as doenças que rotularam de "negligenciadas" (incidentes globalmente, como a tuberculose, mas muito mais prevalentes nos países em desenvolvimento) e de "mais negligenciadas" (existentes apenas nos países com baixo índice de desenvolvimento, como a doença do sono na África e a doença de Chagas na América Latina).

Em 2001, um grupo de economistas convocados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou o relatório Macroeconomia e Saúde, que não só corroborou os estudos dos Médicos Sem Fronteira, rotulando de doenças tipo 1, 2 e 3 as categorias Globais, Negligenciadas e Mais Negligenciadas, como introduziu um significativo avanço na maneira de ver as relações entre saúde e desenvolvimento econômico e social.

Saúde, para os economistas ortodoxos, é apenas uma consequência do desenvolvimento econômico; já para os autores daquele relatório a saúde é também um requisito fundamental para o desenvolvimento econômico e social. Esta nova visão, contudo, permaneceu restrita ao (pequeno) público conhecedor do relatório, já que a própria OMS continuou a lidar com as doenças negligenciadas apenas como resultantes de baixos níveis de desenvolvimento de alguns países, e não como corresponsáveis por este subdesenvolvimento.

Uma mudança conceitual radical e de potencial ainda não totalmente explorado é defendida por uma revista científica especializada em doenças negligenciadas, a Neglected Tropical Diseases (NTD), uma das revistas integrantes da coleção Public Library of Sciences (PLoS), periódicos eletrônicos de acesso aberto editados pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) nos Estados Unidos. Segundo esta revista, conhecida como PLoS-NTD, as doenças negligenciadas são, na realidade, doenças promotoras da pobreza, pois aprisionam os pacientes, populações e países em um círculo infernal: adultos enfermos faltam ao trabalho ou não conseguem emprego, levando famílias a enfrentarem imensos problemas financeiros; as crianças, se sobreviventes a estas enfermidades ceifadoras de vidas, terminam por apresentar baixo rendimento escolar e atrasos no crescimento. Recente trabalho da equipe do médico Marcus Lacerda, da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, mostrando o baixo rendimento escolar em português e matemática de crianças do município de Careiro, a 112 km de Manaus, quando afetadas pela malária do tipo vivax, corroboram de maneira dramática esta estratégica mudança conceitual.

A presidente Dilma Rousseff tem, repetidamente, colocado a eliminação da miséria como prioridade número um de seu governo. Pesquisa feita pelo Datafolha em oito unidades da Federação, em dezembro, mostra que em seis (Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo) a saúde é citada pela população como a preocupação maior. É hora, portanto, de nossos economistas, políticos, gestores e tomadores de decisões, em particular aqueles com voz ativa neste novo governo, se conscientizarem que as estratégias atuais para a eliminação da miséria devem levar em conta esta nova visão: a saúde como dos mais importantes requisitos para o desenvolvimento econômico e social e o combate às doenças tropicais negligenciadas como prioridade sanitária, pois atuam como verdadeiras promotoras de pobreza.

*Carlos Medicis Morel é membro-titular da Academia Brasileira de Ciências, pesquisador sênior e ex-presidente da Fiocruz e professor do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (PPED) do Instituto de Economia da UFRJ. E-mail: morel@fiocruz.br

AGÊNCIA FIOCRUZ DE NOTÍCIAS: Publicado em 2/2/2011 (texto originalmente publicado no jornal Valor Econômico em 1º de fevereiro de 2011).

COMENTÁRIO DO BLOG: Historicamente, os governantes têm relegado a saúde coletiva ao ostracismo, ao desconsiderar as políticas de saúde nos planos de governo maltraçados e imediatistas. 
Promoção da saúde e prevenção contra doenças deveriam ser prioridades, na escala de valores de qualquer projeto estratégico de médio e longo prazo. Saúde não se reduz a plano de governo; antes de tudo, deveria ser política de Estado.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

DENGUE: orientações aos gestores públicos

Para os gestores públicos que justificam o salário pago com dinheiro do povo, cuidando das questões da Saúde Coletiva, há um site específico sobre a Dengue:

http://www.combatadengue.com.br/gestores-publicos/
Gestores Públicos Gestores Públicos

A dengue é uma doença séria que atinge milhares de pessoas todos os anos. E pode levar muitas delas à morte. Mas é possível evitar a dengue se houver organização e empenho de todos. Da dona de casa a você, gestor, todos têm a responsabilidade e cada um tem o seu papel importante no combate à dengue.

Sua participação nas ações de mobilização, no processo de prevenção e combate aos focos do mosquito é fundamental. Você faz a diferença no seu município com atitudes efetivas no enfrentamento da dengue.
Veja o que você pode fazer:
Criar e coordenar grupo intersetorial – saúde, educação, infraestrutura, defesa civil e outras – para apoiar as ações de prevenção e controle da dengue para:
  • Definir estratégias de assistência à saúde;
  • Assegurar recursos humanos e materiais para realização das ações;
  • Mobilizar e apoiar atividades das diversas lideranças sociais e comunitárias;
  • Desenvolver ações de comunicação;
  • Consultar a publicação Diretrizes Nacionais para a Prevenção e controle de Epidemias de Dengue no site www.saude.gov.br/svs;
  • Assegurar o funcionamento permanente de serviços de coleta e tratamento de lixo.