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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Hospital Municipal de Araguari: em condições ou não ?

(Matéria transcrita do jornal Gazeta do Triângulo)

Transferência do Pronto-Socorro gera expectativa na população


Escrito por Talita Gonçalves
Qua, 29 de Junho de 2011 00:42

"Uma das principais reivindicações da população araguarina é a melhoria urgente do atendimento na área de Saúde. Todos os dias, centenas de pessoas passam pelo Pronto Socorro Municipal, e a maioria tem motivos para se queixar. Os funcionários e médicos precisam lidar com dificuldades internas e ainda socorrer os pacientes.

Para amenizar o problema, a prefeitura pretende transferir no dia 1º de agosto o Pronto-Socorro Municipal provisoriamente para as instalações do Hospital Municipal Nephtali Guimarães Ferreira, para que o antigo prédio situado à praça da Constituição dê lugar a UPA - Unidade de Pronto Atendimento.

Devido às inúmeras irregularidades apontadas no prédio do Hospital, obra entregue em 2003 pelo então prefeito Marcos Antônio Alvim, a prefeitura contratou engenheiros da Universidade Federal de Uberlândia para elaborarem um laudo com as medidas necessárias para possibilitar a transferência.

Sensibilizado com a situação, o engenheiro José Radi elaborou um laudo sobre a estrutura do prédio e entregou à prefeitura. “Ninguém me contratou. Fiz esse serviço como cidadão araguarino para agilizar o processo de abertura do Pronto Socorro. A estrutura não tem problemas, asseguro isso com meus 30 anos de profissão. Minha intenção é justamente que isso sirva de referência para a prefeitura,” disse.

Apesar de não ser especialista em arquitetura, o engenheiro afirma que também do ponto de vista arquitetônico, não há problemas com o Hospital Municipal. “A Santa Casa funciona num prédio antigo, e foi adequada para isso. Uma vantagem muito grande que vejo no Hospital é uma área espaçosa que futuramente pode ser utilizada para expandi-lo,” ressaltou.

Segundo ele, é preciso colocar grelhas entre o pátio e o hospital para receber a água pluvial, calhas para diminuir a intensidade da água e adequação na caixa d’água. “Assumo esse laudo com todas as penas da lei. Não seria justo com a profissão que tenho permitir e admitir uma coisa dessas. Quantas pessoas morreram e quantas passam dificuldade com esse atendimento,” declarou.

A reportagem procurou a secretária de Planejamento Thereza Christina Griep. Segundo ela, existiu uma liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária em 2006, mas não houve vontade da administração em colocar o Hospital para funcionar. “A edificação não condiz com o que foi apresentado no projeto. Estamos trabalhando para que a transferência aconteça no tempo previsto,” expôs.

Quanto ao laudo da UFU, que ainda não foi entregue, a secretária ressaltou que não há atraso, e sim o processo de contratação que foi demorado. “São necessários diversos documentos para a conclusão, como a topografia do terreno, das ruas próximas, sondagem do terreno para avaliar inclinação, entre outros,” finalizou. "

COMENTÁRIO DO BLOG:

Já me pronunciei, inúmeras vezes, sobre a questão.

Em 2007, entreguei o ALVARÁ SANITÁRIO, expedido pela Vigilância Sanitária Estadual, pessoalmente ao então prefeito Marcos Alvim, com validade de 12 meses e com a RENOVAÇÃO condicionada à realização das adequações. Portanto, o hospital municipal poderia ter sido aberto imediatamente. Ingerências e omissão foram responsáveis pela inércia e pela não abertura do hospital.

Mantenho cópia digital de documentos e informações preciosas sobre o assunto.

Não fosse o movimento contrário de setores da saúde privada (inclusive um virtual pré candidato a prefeito), de vereadores da base do governo e da própria cúpula governamental, o hospital estaria em pleno funcionamento.

Este é mais um exemplo do dano provocado à Saúde Pública pela interferência de políticos profissionais, para quem a desgraça e o sofrimento da população pobre é combustível eleitoral. Também contribui para o caos a submissão covarde de gestores públicos a setores privados da saúde, para quem também não interessa que o SUS funcione adequadamente.

Estive e estou aberto ao debate. Sem ofensas, sem subterfúgios. Apenas munido da esperança de que, um dia, o país, a população e os agentes políticos tenham outra visão e outra atitude em relação ao Sistema Único de Saúde.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Hospital Municipal > SINOP-MT

MATO GROSSO-Publicação do Expresso MT de 08 de fevereiro de 2011 
 
 
O deputado estadual Dilmar Dal’Bosco (DEM) acompanha a comitiva do governador Silval Barbosa (PMDB), em Brasília, que logo mais, às 19h30, se reunirá com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para tratar, entre outros assuntos, da abertura do Hospital Municipal de Sinop.

“Sabemos que o governo estadual e a Prefeitura de Sinop não possuem recursos para equipar e manter essa unidade, que deve concentrar toda a demanda de saúde do Nortão. Por isso, vamos propor ao ministro que o Hospital Municipal seja administrado por meio de uma Parceria Público- Privada, um modelo de gestão que deu certo nos estados de São Paulo e Santa Catarina”, afirmou Dilmar.

Atualmente, a Parceria Público-Privada PPP, é o assunto em evidência nas administrações públicas de todo o País, principalmente no Governo Federal. Trata-se de um modelo mais avançado de contratação administrativa, onde a participação de investidores privados dão maiores garantias de retorno dos investimentos, flexibilização na execução do contrato, repartição de riscos etc.

Estas parcerias já deram certo na Inglaterra, México, Chile, Portugal e outros países, tendo sido investidos bilhões de dólares em projetos nas áreas de transporte (rodovias, ferrovias, aeroportos, portos), saúde (hospitais), segurança pública (prisões), defesa, educação (rede de escolas) e gestão de patrimônio imobiliário público. O fortalecimento dos hospitais regionais e também os Prontos Socorros de Cuiabá e Várzea Grande, a construção do hospital universitário, construção das UPAs e o fim das filas de cirurgias eletivas também serão discutidas com o ministro Alexandre Padilha.

NOVA GESTÃO - O novo modelo de gestão foi sugerido pelo ex-deputado estadual Dilceu Dal’Bosco (DEM), que em dezembro de 2009 apresentou um estudo comparativo ao então governador Blairo Maggi (PR). Neste documento, ficou provado que o gasto médio com internação em uma unidade pública é seis vezes maior que o tratamento realizado em unidades filantrópicas e privado.

No estudo, Dilceu apontou que, enquanto o governo destina, em média, R$ 7 mil, para internações no Hospital Regional de Sorriso, o mesmo atendimento feito no Hospital Santo Antônio (Instituição Filantrópica de Sinop) sai por pouco mais de R$1 mil, sendo que este tem ainda menor média de permanência e de mortalidade.

COMENTÁRIO DO BLOG: Hospitais construídos sem planejamento e sem estudo da viabilidade econômico-financeira, são eterna fonte de dor de cabeça. Mas rendem votos para o "pai" da criança...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O PANFLETO (enfim, eu vi...)

Encontrei hoje (quinta-feira, 09/09/2010) à tarde, numa lixeira no centro da cidade, alguns exemplares do famigerado panfleto sobre o Hospital Municipal de Araguari, publicado (em papel couchê) pela Coligação PHS/PTN, com tiragem de 15.000 exemplares.

Sobre futricas politiqueiras-eleitorais (perseguições, etc) eu não comento.

Quanto ao que foi noticiado, alguns pitacos (com a licença do Observatório de Araguari):

1- é fato que Marcos Alvim, como prefeito, viabilizou recursos para a construção do hospital, através de Convênio com a União;

2- sobre as realizações das gestões Marcos Alvim, listadas no panfleto (implantação e criação de serviços) também são fatos consumados;

3- "O hospital já funcionou". Nesse tópico, uma filigrana para induzir os leitores/eleitores, em sua esmagadora maioria, neófitos em Saúde Pública. Durante vários anos, alguns serviços ambulatoriais, de fato, funcionaram no hospital: consultas de ortopedia e exames de raios-x. Já exames laboratoriais não haveria como, pela inexistência de um laboratório de análises clínicas no local; e sequer posto de coleta havia;

4- "O hospital pode funcionar". Foi apresentada a reprodução de um Alvará Sanitário que teria sido expedido em agosto/2005; naquele período, eu estava secretário da saúde e não me lembro de tê-lo visto (o que não quer dizer que não tenha sido emitido); o alvará exposto no panfleto mostra campos em branco. Sem alvará ATUALIZADO nenhum hospital pode (ou não poderia) funcionar...

5- Porém, todo Alvará Sanitário tem validade para 12 meses, devendo ser renovado, portanto, anualmente. Não foram apresentados, no panfleto, os alvarás dos anos seguintes.

Fato é que como hospital a unidade jamais funcionou conforme previsto no Convênio (construção e funcionamento de um HOSPITAL ). E mais, para funcionar deveria estar inscrito no CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde) que é coordenado pelo Ministério da Saúde. Até 31 de março de 2008, o hospital não possuia CNES. E o alvará sanitário é pré requisito para se obter o CNSE.

De tudo isso, fica a triste constatação de que a SAÚDE PÚBLICA, configurada no SUS (SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE) continua refém de manobras políticas e do amadorismo.

No fundo, a tragédia vivida no dia a dia pelos mais pobres, que não têm outra opção para cuidar da saúde, senão o SUS, é mantida de forma proposital, para que não seque a fonte da demagogia e da exploração da desgraça alheia (troca de consultas, exames e cirurgias por fidelidade eleitoral). Não por acaso, a secretaria de saúde foi objeto de barganha política em 2008, ficando como fatia do bolo para o PMDB local. Então, se instala um gestor (ou gestora) incompetente, inexpressivo e submisso e coloca-se uns 2 ou 3 "pitbulls" para fazer a "guarda" do local. E ainda se mantém um "secretário-adjunto" (claro, filiado ao PMDB) sem exercer atividade, sem dar expediente e percebendo, provavelmente, uns R$ 3 mil mensais.

Falando em demagogia, achei no mesmo cesto de lixo um panfletinho do deputado federal (e candidato a reeleição) João Bittar (Uberlândia) mostrando seu "trabalho" por Araguari. Como não poderia faltar, na Saúde o deputado informa que "...está trabalhando pela implantação do SERVIÇO DE ATENDIMENTO MÓVEL DE URGÊNCIA (SAMU) em Araguari. É mais saúde para você e sua família!"

Com a devida vênia de Sua Excelência, TENHA DÓ, DEPUTADO!!!

O SAMU é um serviço de emergência médica, composto por um veículo UTI Móvel (equipada com aparelhagem adequada: maca, poltronas, rede de oxigênio, desfibrilador, monitor cardíaco, respirador, sugador, medicamentos e material médico) e por EQUIPE PROFISSIONAL habilitada. A UTI Móvel é disponibilizada pelo Governo Federal para municipios de médio e grande porte, bastando a manifestação do interesse.

o "XIS" da questão vem a seguir....

QUEM (?) banca o CUSTEIO com a manutenção da EQUIPE PROFISSIONAL, composta por médicos, enfermeiros e motoristas habilitados em Urgência e Emergência, com disponibilidade durante 24 HORAS todos os dias da semana??? É um custo altíssimo...

Em minha gestão na saúde do município, o Ministério disponibilizou o veículo. Mas, como não tínhamos pessoal capacitado concursado (e nem disponível para contratação) e também não tínhamos  condições financeiras para custear o serviço, optamos por não assumir o risco.

Senão, poderíamos ter mais um "hospital municipal" fazendo as vezes de elefante branco.