terça-feira, 27 de julho de 2010

OS LIMITES DA LIBERDADE

(Artigo publicado em minha coluna semanal "Painel", no jornal Diário de Araguari, em 27.07.2010)


Retomo neste artigo a questão da poluição sonora, que em Araguari beira às raias do absurdo e do intolerável, clamando por uma ação urgente das autoridades competentes.

A proliferação de carros, pick-ups e afins trafegando pelas ruas com som em altíssimo volume, atenta contra a saúde auditiva e a paciência de todos nós. Afora o (discutível) mau gosto das músicas, a invasão de privacidade coloca em foco uma questão dialética: até onde a presumível liberdade individual pode atentar contra o direito coletivo?

O que para mim (com certeza) é mau gosto, para outros pode ser o mais refinado exemplo de expressão artística. Porém, a convivência em sociedade nos impõe certos limites. Ninguém pode, sob alegação do direito de expressão, obrigar aos demais cidadãos a ver, nem ouvir aquilo que não querem.

No último sábado assisti a dois exemplos da nova onda de terror: pela manhã, caminhando pelo centro da cidade, observei vários veículos transitando com os intragáveis “bate-estacas” em altíssimo volume; inclusive disparando alarmes de outros carros estacionados. À tarde, em casa, enquanto jogava água nas plantas, vi (e ouvi) uma pick-up passar pelo menos duas vezes tocando o que seria uma música (algo parecido com “vô ti pegá/vô ti pegá”) em alto volume , enquanto o motorista falava ao celular e dirigia, ao mesmo tempo. Valha-me Deus; que alguém goste desse tipo de coisa eu até aceito, embora não compreenda. Mas me obrigar a ouvir esse lixo também já é um acinte.

Um bom exemplo para acabar com essa poluição sonora seria algumas lojas comerciais abolirem de suas portas as caixas de som, todas reproduzindo ao mesmo tempo uma série de músicas que se misturam aos “bate-estacas”, buzinas e etc. Não faço idéia do quanto isso possa alavancar vendas ou, no sentido contrário, irritar e afastar potenciais compradores.

Outra ação imediata seria a revisão do código de posturas do município. Afinal, é justamente para cuidar do interesse coletivo (incluindo a saúde auditiva) que a população (exceto os vendedores de voto) elege seus representantes e sustenta, com uma alta carga tributária, o funcionamento do poder público.

Boa semana !

edilvomota@hotmail.com
http://saudenatela.blogspot.com

terça-feira, 20 de julho de 2010

O VÍCIO DA OMISSÃO

(Artigo publicado em minha coluna semanal "Painel", no jornal Diário de Araguari, 20.07.2010)

“Seu douto os nordestino têm muita gratidão/
Pelo auxílio dos sulista nessa seca do sertão/
Mas doutô uma esmola a um homem que é são/
Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão.”
(VOZES DA SECA – Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1953)

Sábias, proféticas e (infelizmente) atualíssimas as palavras do “velho Lua”, ícone do cancioneiro popular brasileiro.


Porém, apesar do alerta, os “doutô” que dominam, desde sempre, a política e a administração pública brasileira insistiram na estratégia de manter a blindagem sobre a coisa pública, para vender facilidades em troca de votos.


Assim era no árido interior nordestino; assim era no berço esplêndido desta pátria amada, por todos os grotões. E assim é, lamentavelmente, nos dias de hoje.


Um país que deveria incentivar o trabalho disseminou o vício de conceder favores com o direito alheio. Notadamente no sistema de saúde pública, onde a lei garante acesso universal, integral e equânime a todos os brasileiros, é vergonhoso assistir à romaria de pessoas mendigando favores a “autoridades” e “amigos do rei”. Que não se furtam, nem se fartam de criticar o SUS e dizer que “a saúde do país está na UTI”. Faça-me o favor.


Mas a culpa desse quadro não é somente do cidadão, via de regra mal informado sobre seus direitos elementares. Um sistema que se ocupa em omitir informação sobre atos de domínio público mais comezinhos, não tem mesmo o menor interesse em divulgar para o contribuinte o rol de seus direitos.


Eis que o círculo vicioso se perpetua. E já recomeçam carreatas, passeatas e negociatas da próxima campanha eleitoral, transformando o que deveria ser solene em uma tal “festa da democracia” de gosto duvidoso, onde o cidadão comum somente é chamado para pagar a conta.


Passa da hora de o país pensar, de fato, em novo modelo de gestão pública. Não em palanques, em panfletos ou discursos inflamados (e pouco convincentes). Mas em ações, que busquem levar a cada indivíduo toda a gama de informações sobre seus direitos sociais e, além disso, prestar contas de cada ato levado a cabo pelos administradores públicos, em seu nome e, mais sério ainda, com o seu (do contribuinte) dinheiro.


Que não morramos de vergonha; nem nos viciemos, vendendo a alma e a consciência.


Boa semana a todos!


edilvomota@hotmail.com


http://saudenatela.blogspot.com

terça-feira, 13 de julho de 2010

ICC/Fiocruz é contemplado com financiamento que beneficia pesquisas com células-tronco

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias

Um projeto do Instituto Carlos Chagas (ICC/Fiocruz Paraná) está entre os contemplados pelo Ministério da Saúde em financiamento que irá beneficiar linhas pesquisas desenvolvidas com células-tronco embrionárias e adultas em todo país. O edital, que prevê investimento de R$ 10 milhões, recebeu 150 propostas para análise e selecionou 49.

O estudo do ICC, desenvolvido em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), investiga o potencial e a aplicação de terapias direcionadas ao sistema cardiovascular, especificamente na recuperação do coração que sofreu enfarte. O objetivo da pesquisa, que utiliza uma técnica inédita, é resgatar o ritmo cardíaco através da criação de novos vasos sanguíneos e da transformação das células-tronco em tecido muscular cardíaco.

Embrião humano na fase de blastocisto, do qual se extraem as células-tronco embrionárias


Em maio de 2008, o Supremo Tribunal Federal autorizou a realização de pesquisas com células-tronco embrionárias e o governo federal decidiu, em dezembro, financiar esse tipo de estudo. O Ministério da Saúde pretende criar rede de pesquisas na área e criará oito Centros Regionais de Terapia Celular. Um deles, será construído no Paraná, com investimentos superiores a R$ 2 milhões. “Contando com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), essa unidade servirá à pesquisa e à produção”, conta o pesquisador do ICC Samuel Goldenberg.


Segundo Goldenberg, a iniciativa inédita do Ministério da Saúde aponta para um novo conceito na ciência brasileira. “As verbas disponíveis para a pesquisa aumentaram de alguns anos para cá. Elas ainda não são suficientes, mas é uma mudança de parâmetro”.

Para o pesquisador, iniciativas dirigidas ao desenvolvimento de áreas e de pesquisas estratégicas para o país passaram a ser incentivadas. “Isso está ocorrendo em paralelo com a pesquisa básica, que é o correto".


Publicado em 13/7/2010.

terça-feira, 6 de julho de 2010

OS PERNAS DE PAU

(Artigo publicado em minha coluna semanal "Painel", no jornal "Diário de Araguari", em 06.07.2010)

Passada a euforia da Copa do Mundo, com os costumeiros excessos e os repetidos acessos de patriotismo temporão, o que afinal restará? Vuvuzelas (ufa!) devidamente encaixotadas, bandeira nacional retornando ao ostracismo e redução dos enforcamentos de horário de trabalho. Impressiona a disposição do brasileiro para o ócio, inversamente proporcional ao apego ao trabalho.


Mas, eis que se apresenta uma portentosa competição, de periodicidade menor que a copa e com, digamos, doses mínimas de fairplay. Campanha eleitoral é um verdadeiro festival de caneladas, carrinhos desleais, bolas nas costas e trairagem. Os entendidos de futebol entendem a dimensão desta linguagem.

E onde andará, a essa altura, o fervor cívico da população?

Pelos exemplos dos últimos tempos quando, salvo honrosas exceções, proliferam mandatos eivados de inexperiência administrativa, de pouco apego ao trabalho, de históricos viciados pelo mau uso do dinheiro público e uma fenomenal disposição para o populismo piegas, o prognóstico é desanimador.

O mesmo povo que se deleita em satanizar Dungas, Felipes Melos e que tais, se esquece do monte de pernas de pau que, eleição após eleição, coloca no poder, passando um cheque em branco para a incompetência e a má fé. Fé que, aliás, é muito bem explorada por picaretas infiltrados em religiões, transformando crença em curral eleitoral e fiéis em massa de manobra.

Passa da hora do brasileiro acordar e compreender, de vez, que a vida não se resume em copas do mundo.

Ao levar uma colega de trabalho ao Pronto Socorro Municipal, na tarde desta segunda-feira (05), pude constatar, não sem uma ponta de tristeza, que as dificuldades continuam. Contei, sem muito esforço, quase 90 pessoas esperando atendimento. Algumas desde as 11 horas da manhã, quando o relógio marcava 16 horas. Culpa dos servidores? Não. Culpa da infraestrutura que (justiça se faça) há anos vem sendo deteriorada pelo repetido descaso com que a Saúde Pública sempre foi tratada. E pela falta de foco na atenção primária.

A Saúde, a exemplo das demais políticas sociais, precisa muito mais que discursos, modelos ou planos de governos sem visão de longo prazo.

Da visita ao Pronto Socorro restou, ao menos, o prazer de rever antigos colegas de trabalho.

Boa semana a todos.

edilvomota@hotmail.com
http:\\saudenatela.blogspot.com

terça-feira, 29 de junho de 2010

PADRE CORAJOSO

Fonte: FOLHA de SÃO PAULO, de 09/08/2009


O Ministério Público Federal de São Paulo ajuizou ação pedindo a retirada dos símbolos religiosas das repartições publicas. Pois bem, vejam o que diz o Frade Demetrius dos Santos Silva.

“Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas…

Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião.

A Cruz deve ser retirada!

Aliás, nunca gostei de ver a Cruz em Tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são barganhadas, vendidas e compradas.

Não quero mais ver a Cruz nas Câmaras legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte.

Não quero ver, também, a Cruz em delegacias, cadeias e quarteis, onde os pequenos são constrangidos e torturados.

Não quero ver, muito menos, a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas pobres morrem sem atendimento.

É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa das desgraças; das misérias e sofrimentos dos pequenos; dos pobres e dos menos favorecidos”.

Frade Demetrius dos Santos Silva * São Paulo/SP

terça-feira, 22 de junho de 2010

VENCIDOS PELO CANSAÇO

(Artigo publicado em minha coluna semanal "Painel", no jornal Diário de Araguari, em 22.06.2010)

Nos idos de 2001, a ADESA (Agência de Desenvolvimento Econômico e Social de Araguari) buscava empreender ações voltadas ao interesse comunitário, de acordo com as premissas de seu estatuto social.

Nascida no seio das entidades de classe, a ADESA era composta em seu conselho deliberativo por representantes de órgãos como ACIA, CDL, Fundação Maçônica, Rotary Clube, Clube Soroptimista, Sindicato dos Contabilistas, Unimed, dentre outros.

Em reunião histórica com o então prefeito, realizada em seu gabinete, os membros da ADESA levaram ao alcaide uma proposta inovadora: a criação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Araguari (CODEA), nos mesmos moldes do que havia sido feito no município de Maringá, no Paraná, onde até hoje funciona, com sucesso, o CODEM (Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá). Apesar da boa receptividade inicial do prefeito, objeções dentro de seu staff jogaram por terra a iniciativa. A ADESA foi vencida pelo cansaço.

Anteriormente, um representante da ADESA havia visitado Maringá, para conhecer de perto aquela experiência vitoriosa. O CODEM é um órgão criado por Lei Municipal (4275/96, de 11/09/96), com caráter deliberativo e consultivo e com a finalidade de propor e fazer executar política de desenvolvimento econômico. É constituído por entidades representativas dos diversos segmentos organizados da sociedade. Sua estrutura conta com uma mesa Diretora, um Plenário e 11 Câmaras Técnicas Setoriais.

Entre suas funções o CODEM tem a atribuição de gerir o Fundo Municipal de Desenvolvimento Econômico, instituído pela Lei Municipal (4274/96, de 11/09/96). As atribuições do CODEM são exercidas em parceria com entidade de sociedade civil e poder público, destacando-se a Prefeitura Municipal, a ACIM-Associação Comercial e Industrial de Maringá, o IDR- Instituto para o Desenvolvimento Regional e a FIEP- Federação das Indústrias do Estado do Paraná. Essa parceria reflete o grande lema do CODEM que é: "Comunidade e Governo, juntos determinando nosso futuro”.

A tentativa de aproximar a sociedade civil da gestão municipal, visando contribuir na elaboração de projetos de desenvolvimento e garantir o efetivo controle social, foi frustrada. Hoje a ADESA se encontra moribunda, principalmente em razão do desânimo de alguns de seus membros que se cansaram de tentar, inutilmente, contribuir de forma voluntária, com o sacrifício do próprio lazer e das atividades profissionais, para o crescimento do município.

Nas próximas semanas, relatarei outras histórias de luta e trabalho da ADESA.

Boa semana a todos.

edilvomota@hotmail.com
http://saudenatela.blogspot.com/

domingo, 20 de junho de 2010

Música clássica faz bem à saúde

Sexta-feira, 18 de junho de 2010, pude desfrutar do raro prazer de ouvir música de qualidade, executada pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais.


A iniciativa da FAEC-Fundação Araguarina de Educação e Cultura, de incluir nossa cidade no roteiro das apresentações da Filarmônica, merece aplausos.

A platéia numerosa, mesmo sob um frio intenso, pode se maravilhar com execuções impecáveis de clássicos da música erudita. E, ao final, o fecho de ouro com a execução de "Tico-tico no fubá" para deleite geral.


No momento da foto acima, eu ainda tilitava de frio, pois fui direto do trabalho para o local do evento. Mas, logo em seguida fui socorrido por um providencial paletó. À minha direita, os amigos Onofrinho e Maria José. À minha esquerda, minha esposa Cássia e nosso filho caçula Matheus.

Parabéns à FAEC, especialmente ao amigo Aloisio Nunes de Faria que sabe como poucos acolher seus convidados.