Mesmo contando com um amplo plano de saúde, o Senado Federal tem, entre suas instalações, um mini-hospital com uma estrutura e equipe de fazer inveja a muito hospital público da capital federal. Bancado com dinheiro público, do orçamento do Senado, ele é exclusivo para senadores, servidores e seus respectivos dependentes, e atende também ex-parlamentares e aposentados da Casa. Durante boa parte do tempo, porém, o lugar fica vazio.
Cálculo do próprio Senado mostra, por exemplo, que nos fins de semana são atendidas, em média, apenas três pessoas. O gasto para isso chegou, só no ano passado, a R$ 3,5 milhões, ou quase R$ 20 mil por atendimento.
Em conversas com funcionários, a reportagem ouviu que os usuários, inclusive senadores, preferem hospitais particulares conveniados com o plano de saúde, que além de vitalício, cobre qualquer serviço no país e fora, de qualquer valor.
Casa gasta quase R$ 20 mil por atendimento
Senadores e deputados têm plano ilimitado
Saúde: Congresso prevê gastar R$ 141 mi
O R7 visitou a sede da SAMS (Secretaria de Assistência Médica e Social) e constatou as boas condições do lugar. O edifício está localizado numa das áreas anexas do Senado, a cerca de 1 km do prédio principal. Para chegar lá, existe até uma van para levar os funcionários e que sai constantemente da garagem subterrânea da Casa.
Inaugurado em 1995, o prédio conta com dois blocos, que ocupam uma área de aproximadamente 2.500 m². Além dos ambientes comuns, há 89 pequenas salas para atendimentos e serviços administrativos. Há uma ambulância e dois carros para emergências.
No quadro de servidores do serviço médico, há mais de 90 profissionais de saúde concursados, todos com remunerações acima do que é pago pelo mercado.
Hoje, trabalham para o Senado 48 médicos das mais diversas especialidades. Além das mais comuns, como cardiologia (em maior número), cirurgia, ortopedia e clínica geral, há também doutores em áreas de dermatologia, endocrinologia, homeopatia, psiquiatria, entre outras.
Cada um recebe salários que variam de R$ 18.440,64 a R$ 20.900,13. Também nessa faixa estão sete odontólogos, 13 psicólogos, três fisioterapeutas, um farmacêutico e 14 enfermeiros. A maioria tem uma carga horária de 20 horas semanais no Senado.
Entre profissionais de ensino médio (com salários entre R$ 13.833,64 a R$ 16.563,02), há 23 técnicos em enfermagem, 2 em radiologia e 1 em reabilitação efetivados.
Além dessas consultas, os senadores e funcionários contam com exames de baixa e média complexidade, como eletrocardiograma, ecocardiograma, ecografias e radiografias, além de laboratoriais.
Em conversa com funcionários, a reportagem ouviu que é raro algum senador ir ao local. Boa parte dos atendimentos é feita para ex-servidores, dependentes e funcionários dos escalões mais baixos. Todos têm parte dos salários descontados para cobrir o plano de saúde. Os senadores não pagam nada pelo plano.
Diferença
Para dimensionar a disparidade com o serviço na rede pública, o R7 visitou também o Hospital Regional de Ceilândia, na cidade-satélite de mesmo nome, a 26 km de Brasília, com uma população de 600 mil habitantes. Embora conte com um espaço físico pelo menos quatro vezes maior que o SAMS, o lugar vive apinhado de gente.
A diferença começa no próprio ambulatório. Alguns pacientes que não quiseram se identificar relataram que a espera por uma consulta demora meses. Estão faltando ainda especialistas em psiquiatria, endocrinologia, ginecologia e alto risco.
A dificuldade para ser atendido acaba levando os doentes a procurar logo o serviço de emergência, onde a carência de profissionais é ainda mais grave. Na última segunda-feira (4), a reportagem visitou a sala de espera que, por volta das 13h, já contava com 60 pessoas.
Várias haviam chegado entre 6h e 8h, e algumas estavam estiradas nos bancos, com diversos tipos de problemas e dores (ver galeria). No momento, havia apenas um ortopedista no pronto-socorro. Na recepção, não havia nenhum funcionário, e apenas um vigilante controlava a entrada para a sala de atendimento.
Apenas um grupo de dez pessoas, que chegaram primeiro, conseguiu entrar para o corredor que dá acesso à sala de emergência, mas nenhum, até as 14h, havia sido atendido. A reportagem procurou a direção do hospital para saber o motivo, mas não foi atendida. Procurada, a Secretaria de Saúde do DF também não quis se pronunciar sobre a situação de Ceilândia.
O sindicato dos médicos do Distrito Federal estima que hoje a carência de médicos na rede pública seja de mil profissionais. Neste mês, o governo abriu concurso com 400 vagas, mas o salário da categoria não atrai candidatos: inicialmente, são R$ 3.900,00, podendo chegar a R$ 14 mil após 25 anos.
Além do Senado, outros órgãos públicos de Brasília oferecem condições bem melhores para médicos: no Judiciário, por exemplo, o salário inicial é de R$ 20 mil.
terça-feira, 5 de abril de 2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
COMO NASCE UM PARADIGMA
(Publicado em minha coluna semanal "Painel", no jornal Diário de Araguari, no dia 17.03.2011)
COMO NASCE UM PARADIGMA
Paradigma (do grego parádeigma). Modelo; representação de um padrão a ser seguido; pressuposto filosófico; matriz; teoria; conhecimento que origina o estudo de um campo científico; realização científica com métodos e valores que são concebidos como modelo; referência inicial como base de modelo para estudos e pesquisas.
Tomo emprestado um curioso relato sobre como nascem os paradigmas. É um exemplo perfeito de como alguns homens, assim como os macacos, preferem agir por indução (ou por ouvir dizer), ao invés de analisar os fatos de forma isenta.
“Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula; no centro da jaula uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas.
Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão.
Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancadas.
Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas.
Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos.
A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que o surraram.
Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada.
Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato.
Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído.
Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse chegar às bananas.
Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria:
"Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui..."
"É MAIS FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO DO QUE UM PRECONCEITO“
(Albert Einstein).
quarta-feira, 16 de março de 2011
Superfaturamento na compra de medicamentos: silêncio e descumprimento da Lei
(Jornal Diário de Araguari, edição de 16 de março de 2011, página 3)
Caso de superfaturamento de medicamentos continua sem solução
A denúncia em questão é a seguinte: em 2010, a Secretaria de Saúde adquiriu 32 caixas do medicamento Nexium 20mg, destinado ao tratamento de problemas gástricos. Nessa compra, foram gastos R$ 1.743,47.
O preço médio da caixa saiu a R$ 54,48. Comparando os valores, é possível observar que a Secretaria adquiriu 8 caixas do medicamento com o preço unitário de R$ 73,99, na Drogabilio Ltda. Esse valor é 113,22% mais caro que as cinco caixas adquiridos na empresa Maria de Lourdes Rodrigues e Cia Ltda, onde cada caixa foi comprada por R$ 34,70. Pouco tempo depois, o medicamento em questão foi adquirido por preços diferentes, no estabelecimento Drogabilio Ltda. Quatro caixas do remédio custaram R$ 40,47 cada, só que oito caixas do mesmo remédio saíram a R$ 73,90 cada. Caso os medicamentos tivessem sido adquiridos pelo menor valor, em vez de comprar oito caixas do medicamento Nexium, poderiam ter sido adquiridas 18.
Ontem (15), a reportagem procurou o vereador Raul José para saber os desdobramentos do caso. Segundo ele, a Prefeitura não respondeu ao requerimento enviado que cobrava soluções.
“O Executivo simplesmente não respondeu ao requerimento, o prazo regimental que ele teria para responder já expirou e ninguém, sequer, pediu prorrogação. Na sessão de hoje (15) da Câmara dos Vereadores, vou fazer novo requerimento, mas, como estamos tendo muitas dificuldades em obter informações da Prefeitura, também vou fazer uma denúncia ao Ministério Público, porque já tomamos conhecimento de outra denúncia, com relação a superfaturamento de medicamentos”, explicou o vereador.
“Como vereador, me sinto desacreditado, porque sou pago e muito bem pago para fazer o meu trabalho que é representar a população, mas a Prefeitura tem dificultado bastante o nosso trabalho e, por isso, medidas mais sérias precisam ser tomadas, como por exemplo, a denúncia ao Ministério Público”, concluiu Raul José.Dicas do blog:
Para os vereadores neófitos (ou desatentos, como queiram) bastaria uma breve leitura da Lei Orgânica do Município de Araguari, ao invés de tentar transferir para o Ministério Público sua atribuição de fiscalizar o Poder Executivo e fazer cumprir a lei.
LEI ORGÂNICA DO MUNICÍPIO DE ARAGUARI
CÂMARA MUNICIPAL DE ARAGUARI - 1990
Art. 71
- Compete ao Prefeito, entre outras atribuições:
XIV- prestar à Câmara, dentro de quinze dias úteis, as informações pela mesma solicitadas, salvo prorrogação, a seu pedido e por prazo determinado, em face da complexidade da matéria ou da dificuldade de obtenção nas respectivas fontes, dos dados pleiteados;
Art. 76
- São infrações político-administrativas do Prefeito, as quais acarretarão a perda do mandato, quando:
III- atentar contra:
b) o livre funcionamento da Câmara Municipal, incluindo neste a não liberação das verbas próprias da mesma, nos prazos estipulados nesta Lei Orgânica;
Art. 82
- Os Secretários e Assessores são solidariamente responsáveis com o Prefeito pelos atos que assinarem, ordenarem ou praticarem.
quinta-feira, 10 de março de 2011
Utilidade Pública: DENGUE
Fonte: Ministério da Saúde / Portal da Saúde

Observação do Blog:
Araguari conseguiu reduzir o Índice de Infestação Predial, de 2009 para 2010, o que é digno de nota e de reconhecimento ao trabalho de toda a equipe do Controle de Endemias (inclusive de todos os supervisores destituítos, no final de 2010).
Também é digno de nota que o pânico levado à população foi desnecessário, despropositado e irresponsável.
As mortes "consumadas" para o futuro, em decorrência da epidemia de dengue, e divulgadas com pompa e circunstância, não ocorreram (felizmente, como era previsível).
Os supervisores afastados no final de 2010, depois de terem trabalhado eficazmente na redução do índice, foram utilizados como bode expiatórios para a falta de preparo para o diálogo. Uma suposta epidemia de dengue foi inventada como pano de fundo para as picuinhas políticas mal resolvidas.
Fica a lição de como não agir em relação à divulgação de informações sobre políticas públicas de saúde.
Ministério da Saúde libera recursos para procedimentos de Média e Alta Complexidade
Ministério da Saúde libera recursos para procedimentos de Média e Alta Complexidade
Municípios, estados e Distrito Federal vão receber R$ 71 milhões por ano
O Ministério da Saúde autorizou, no último dia 2 de março, a liberação de R$ 71, 5 milhões para custear a realização de procedimentos de anomalia de crânio e bubomaxilofacial, ambos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no atendimento de Média e Alta Complexidade. Os recursos serão repassados, anualmente, a municípios dos 26 estados e do Distrito Federal.
Do montante, R$ 38,4 milhões serão incorporados ao limite financeiro anual dos municípios, estados e Distrito Federal. Os outros R$ 33 milhões serão liberados pelo Fundo de Ações Estratégicas e Compensação (Faec), de acordo com a produção registrada nos Sistemas de Informações Ambulatorial e Hospitalar do SUS. A autorização dos repasses foi publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira.
Por Izabel Bacelar, da Agência Saúde – Ascom/MS
61/3315-3713
Insólito, paradoxal...
Noite de quarta-feira de Cinzas, na Avenida Theodolino Pereira, vem caminhando pela calçada um cidadão de meia-idade (presumivelmente, uns 45 anos). Vestido à caráter, parecia estar retornando da academia de ginástica, após a malhação.
Eis que, de repente, o camarada tira do bolso do short o maço de cigarros e o isqueiro. Acende o "pau de trouxa" e dá uma longa tragada.
Nada mais paradoxal, insólito e imbecil, no rito do culto à saúde.
Eis que, de repente, o camarada tira do bolso do short o maço de cigarros e o isqueiro. Acende o "pau de trouxa" e dá uma longa tragada.
Nada mais paradoxal, insólito e imbecil, no rito do culto à saúde.
terça-feira, 8 de março de 2011
O gerente da cidade
Em artigo publicado na edição de maio de 2003 da revista Superinteressante, Marta Barbosa teorizou sobre uma (impossível e questionável) privatização dos municípios.
http://super.abril.com.br/cultura/se-privatizassemos-municipios-443839.shtml
Tomado apenas como exercício dialético, o artigo trouxe no bojo uma série de 12 mandamentos para o "gerente da cidade", figura sugerida pela autora e personificada por um profissional em gestão empresarial, contratado para auxiliar os prefeitos neófitos em administração, substituindo as costumeiras indicações por critérios exclusivamente políticos, sem substância técnica para os cargos.
À guisa de curiosidade, vale a pena ler os tais 12 mandamentos (estes sim, nada impossíveis nem questionáveis) e que deveriam ser cumpridos pelos próprios prefeitos, vices e secretários, sem necessidade de onerar o Erário.
Os 12 mandamentos
A cartilha de princípios de um gerente de cidade
1. Visarás a um governo local eficiente e democrático e acreditarás que a gestão profissional é essencial para atingir esse objetivo.
2. Buscarás a dignidade e o valor dos serviços prestados pelo governo e manterás uma atitude construtiva, criativa e prática em relação aos assuntos do governo.
3. Devotar-te-ás aos ideais de honra e integridade em todos os relacionamentos públicos e pessoais.
4. Não te esquecerás de que a principal função do governo local é sempre servir aos interesses da população.
5. Apresentarás propostas de política pública aos representantes eleitos e os municiarás com informações e conselhos para auxiliá-los na tomada de decisões.
6. Reconhecerás que estabelecer as políticas do governo compete aos representantes eleitos; aos gerentes caberá a responsabilidade pela execução dessas políticas.
7. Abster-te-ás de atividades políticas que possam minar a confiança do público nos administradores profissionais.
8. Considerarás como um dever permanente a busca da capacitação profissional e da competência no uso de técnicas de gestão.
9. Manterás a comunidade informada sobre os assuntos do governo; estimularás a comunicação entre os cidadãos e os membros do governo; priorizarás um serviço público amigável e cortês; e buscarás a melhoria da qualidade e da imagem do serviço público.
10. Resistirás a qualquer abuso das responsabilidades profissionais e tratarás cada problema sem discriminação, baseando-te na lei e na justiça.
11. Tratarás os assuntos de recursos humanos de forma que a justiça e a imparcialidade governem as decisões relativas a nomeações, promoções e disciplina.
12. Não solicitarás favores; estarás ciente de que é desonesto obter lucro ou enriquecimento pessoal com informações confidenciais ou com o uso indevido do tempo público.
http://super.abril.com.br/cultura/se-privatizassemos-municipios-443839.shtml
Tomado apenas como exercício dialético, o artigo trouxe no bojo uma série de 12 mandamentos para o "gerente da cidade", figura sugerida pela autora e personificada por um profissional em gestão empresarial, contratado para auxiliar os prefeitos neófitos em administração, substituindo as costumeiras indicações por critérios exclusivamente políticos, sem substância técnica para os cargos.
À guisa de curiosidade, vale a pena ler os tais 12 mandamentos (estes sim, nada impossíveis nem questionáveis) e que deveriam ser cumpridos pelos próprios prefeitos, vices e secretários, sem necessidade de onerar o Erário.
Os 12 mandamentos
A cartilha de princípios de um gerente de cidade
1. Visarás a um governo local eficiente e democrático e acreditarás que a gestão profissional é essencial para atingir esse objetivo.
2. Buscarás a dignidade e o valor dos serviços prestados pelo governo e manterás uma atitude construtiva, criativa e prática em relação aos assuntos do governo.
3. Devotar-te-ás aos ideais de honra e integridade em todos os relacionamentos públicos e pessoais.
4. Não te esquecerás de que a principal função do governo local é sempre servir aos interesses da população.
5. Apresentarás propostas de política pública aos representantes eleitos e os municiarás com informações e conselhos para auxiliá-los na tomada de decisões.
6. Reconhecerás que estabelecer as políticas do governo compete aos representantes eleitos; aos gerentes caberá a responsabilidade pela execução dessas políticas.
7. Abster-te-ás de atividades políticas que possam minar a confiança do público nos administradores profissionais.
8. Considerarás como um dever permanente a busca da capacitação profissional e da competência no uso de técnicas de gestão.
9. Manterás a comunidade informada sobre os assuntos do governo; estimularás a comunicação entre os cidadãos e os membros do governo; priorizarás um serviço público amigável e cortês; e buscarás a melhoria da qualidade e da imagem do serviço público.
10. Resistirás a qualquer abuso das responsabilidades profissionais e tratarás cada problema sem discriminação, baseando-te na lei e na justiça.
11. Tratarás os assuntos de recursos humanos de forma que a justiça e a imparcialidade governem as decisões relativas a nomeações, promoções e disciplina.
12. Não solicitarás favores; estarás ciente de que é desonesto obter lucro ou enriquecimento pessoal com informações confidenciais ou com o uso indevido do tempo público.
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