quinta-feira, 16 de junho de 2011
VILIGÂNCIA EM SAÚDE: ESTADO CAPACITA SERVIDORES MUNICIPAIS
Informativo Canal Minas Saúde 005/2011.
O Canal Minas Saúde em parceria com a ANVISA e com a Subsecretaria de Vigilância e Proteção a Saúde iniciará no próximo dia 16 de junho o processo de inscrição para o curso de “Ações Básicas de Vigilância Sanitária”, disponibilizando em nosso site www.portalminassaude.com.br o link de acesso ao formulário de inscrição.
Este curso buscará sensibilizar e capacitar equipes municipais de saúde para auto-suficiência na responsabilidade sanitária de vigilância do risco, e contemplará dois momentos importantes: o primeiro consistirá na sensibilização de todos os municípios no que tange a importância das ações básicas de Vigilância em Saúde e Vigilância Sanitária.
Nosso público alvo são profissionais em nível médio e superior, atuantes na saúde municipal entre atenção Primária; equipes da saúde da família e vigilância sanitária, além de fiscais sanitários; profissionais envolvidos com a área de VISA (odontólogos, farmacêuticos / bioquímicos; médicos veterinários, etc.); gestores e profissionais da Atenção Primária e de demais pontos de atenção.
Já o segundo momento será para capacitação e certificação de 1.500 (mil e quinhentos) profissionais que atuam ou irão atuar no serviço de vigilância sanitária dos municípios do Estado de Minas Gerais, obrigatoriamente participantes e aprovados no primeiro momento desta capacitação e preferencialmente que recebem o Piso Estratégico.
Buscamos com este trabalho, disseminar conceitos e informações de Vigilância em Saúde mobilizando atores sociais, na agregação de valores às ações da área por meio de alianças estratégica, além de conhecer e debater os conceitos de riscos sanitários estimulando uma nova prática de VISA.
Canal Minas Saúde
SES/SUS
quarta-feira, 15 de junho de 2011
FALTA DE MEDICAMENTOS E DE ATITUDE
Reproduzo comentário meu, postado no blog OBSERVATÓRIO DE ARAGUARI, sobre falta de medicamentos na Farmácia Municipal e no Pronto Socorro Municipal de Araguari:
"Onde estão os arautos da boa nova, que cantavam em prosa e verso a necessidade de "mudanças" na Saúde?
Conversa de palanque e de boteco, aliciando votos, falando do que não se compreende, tem grandes chances de dar em nada.
Alguns novostempistas pularam fora do barco, na primeira marola, deixando o comandante "a ver navios". Outros, mais afoitos por cargos e verbas, deram uma banana para o interesse público e continuam placidamente sugando as tetas da viúva gorda.
Em 2012, todos voltarão, de porta em porta, de boteco em boteco, de igreja em igreja, de escola em escola, novamente prometendo o que não sabem se poderão entregar."
"De muito gorda a porca já não anda (Cálice!)
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, Pai, abrir a porta (Cálice!)
Essa palavra presa na garganta" MILTON NASCIMENTO E CHICO BUARQUE (Cálice).
Triste cenário, esse da política local...
"Onde estão os arautos da boa nova, que cantavam em prosa e verso a necessidade de "mudanças" na Saúde?
Conversa de palanque e de boteco, aliciando votos, falando do que não se compreende, tem grandes chances de dar em nada.
Alguns novostempistas pularam fora do barco, na primeira marola, deixando o comandante "a ver navios". Outros, mais afoitos por cargos e verbas, deram uma banana para o interesse público e continuam placidamente sugando as tetas da viúva gorda.
Em 2012, todos voltarão, de porta em porta, de boteco em boteco, de igreja em igreja, de escola em escola, novamente prometendo o que não sabem se poderão entregar."
"De muito gorda a porca já não anda (Cálice!)
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, Pai, abrir a porta (Cálice!)
Essa palavra presa na garganta" MILTON NASCIMENTO E CHICO BUARQUE (Cálice).
Triste cenário, esse da política local...
terça-feira, 14 de junho de 2011
ANTIGAS MODERNIDADES
(Artigo publicado na coluna "Painel", no jornal Diário de Araguari, edição de 14.06.2011)
ANTIGAS MODERNIDADES
Sou adepto do computador; tenho MSN, Orkut, Facebook, blog, twitter, e o escambau. Mas não abro mão da velha e boa prosa cara a cara, de preferência, com um bom cafezinho com broa, ou uma cerveja gelada, regada a torresmo ou salada de jiló. De quebra, uma boa cantoria, que ninguém é de ferro!
Sou adepto no novo dialeto do “internetês”, num espaço cibernético onde digitamos “vc”, “kd”, “qdo”, “blz”, “tdb” e todo tipo de abreviatura. Mas não abro mão da língua culta, da observância das regras gramaticais na redação formal, seja no meio empresarial ou acadêmico.
Sou adepto da modernidade, utilizo sempre o automóvel para locomoção. Mas, sempre que posso, caminho pelas ruas da cidade, exercitando as velhas pernas, vendo vitrines, cumprimentando pessoas, observando detalhes de construções e da natureza.
Sou adepto do progresso, do desenvolvimento. Afinal, foi para isto que o homem desde sempre se dedicou ao estudo, à pesquisa, buscando a evolução e o conforto com as invenções e as inovações. Porém, mantenho o vínculo com as tradições, para não perder o norte das minhas origens como ser humano e cidadão.
O modernismo é necessário; porém, não é um convite para o empobrecimento do idioma, do bom gosto ou da razão.
Vendo meus filhos, aos 26 e 19 anos, fazerem a mistureba musical e ouvir tanto o bom rock’n roll, com Aerosmith, Pink Floyd, Oasis, Nirvana, Rolling Stones, Eagles, AC/DC, quanto clássicos de Mozart, Bach, Beethoven, Ravel, passando por João Gilberto, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Milton Nascimento, Lupicínio Rodrigues, Noel Rosa, Araci de Almeida, Adoniran Barbosa, Kid Abelha, Titãs, Lobão, Elvis Presley, Beatles, e tantas outras “feras”, sinto que tem valido a pena não fechar os olhos para o novo, e nem deixar de lado tudo de bom que a tradição nos legou. De quebra, ainda tenho o prazer de conseguir ler o que escrevem, sem ruborizar com grotescos erros de ortografia ou concordância.
ANTIGAS MODERNIDADES
Sou adepto do computador; tenho MSN, Orkut, Facebook, blog, twitter, e o escambau. Mas não abro mão da velha e boa prosa cara a cara, de preferência, com um bom cafezinho com broa, ou uma cerveja gelada, regada a torresmo ou salada de jiló. De quebra, uma boa cantoria, que ninguém é de ferro!
Sou adepto no novo dialeto do “internetês”, num espaço cibernético onde digitamos “vc”, “kd”, “qdo”, “blz”, “tdb” e todo tipo de abreviatura. Mas não abro mão da língua culta, da observância das regras gramaticais na redação formal, seja no meio empresarial ou acadêmico.
Sou adepto da modernidade, utilizo sempre o automóvel para locomoção. Mas, sempre que posso, caminho pelas ruas da cidade, exercitando as velhas pernas, vendo vitrines, cumprimentando pessoas, observando detalhes de construções e da natureza.
Sou adepto do progresso, do desenvolvimento. Afinal, foi para isto que o homem desde sempre se dedicou ao estudo, à pesquisa, buscando a evolução e o conforto com as invenções e as inovações. Porém, mantenho o vínculo com as tradições, para não perder o norte das minhas origens como ser humano e cidadão.
O modernismo é necessário; porém, não é um convite para o empobrecimento do idioma, do bom gosto ou da razão.
Vendo meus filhos, aos 26 e 19 anos, fazerem a mistureba musical e ouvir tanto o bom rock’n roll, com Aerosmith, Pink Floyd, Oasis, Nirvana, Rolling Stones, Eagles, AC/DC, quanto clássicos de Mozart, Bach, Beethoven, Ravel, passando por João Gilberto, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Milton Nascimento, Lupicínio Rodrigues, Noel Rosa, Araci de Almeida, Adoniran Barbosa, Kid Abelha, Titãs, Lobão, Elvis Presley, Beatles, e tantas outras “feras”, sinto que tem valido a pena não fechar os olhos para o novo, e nem deixar de lado tudo de bom que a tradição nos legou. De quebra, ainda tenho o prazer de conseguir ler o que escrevem, sem ruborizar com grotescos erros de ortografia ou concordância.
sábado, 11 de junho de 2011
QUAL DEMOCRACIA ?
(Artigo publicado no jornal Diário de Araguari, coluna Painel, edição de 11 de junho de 2011)
QUAL DEMOCRACIA ?
Os paradoxos que os caminhos do destino reservam a todos os mortais, revelam nuances de uma falsa democracia, cantada em prosa e verso e nem sempre praticada, em sua essência.
Sob os auspícios da trincheira, “cientistas políticos” dos mais variados matizes se arvoram e por vezes transbordam nas críticas ao governante de plantão. Muitas delas, diga-se, até pertinentes.
Mas eis que, alçados ao timão do barco, recolhem velas e penas (algo recomendável) e mudam o foco, o tino e o bom humor. Recolhem também a bandeira do respeito à liberdade de expressão. Definitivamente, cara feia não substitui a boa informação, a transparência e a cordialidade necessária.
O munus público expõe e exige serenidade, sobriedade e disponibilidade para o contraditório e a prestação de contas ao cidadão-contribuinte. Castelos, palácios, fortes e bunkers não conseguem, por mais densas que sejam suas paredes, cercar o clamor por publicidade do que, em sua essência, é de domínio público.
Preservada a vida privada e a integridade moral de todo agente público, esteio do estado democrático de direito, ao cidadão é dado saber como são administrados os recursos públicos e o interesse coletivo.
Um país efetivamente democrático começa pela opção de cada um de nós, sobre que tipo de democracia queremos viver e praticar.
“Faça da tua vida um reflexo da sociedade que desejas” Mahatma Gandhi
Edilvo Mota
edilvomota@hotmail.com
http://saudenatela.blogspot.com
QUAL DEMOCRACIA ?
Os paradoxos que os caminhos do destino reservam a todos os mortais, revelam nuances de uma falsa democracia, cantada em prosa e verso e nem sempre praticada, em sua essência.
Sob os auspícios da trincheira, “cientistas políticos” dos mais variados matizes se arvoram e por vezes transbordam nas críticas ao governante de plantão. Muitas delas, diga-se, até pertinentes.
Mas eis que, alçados ao timão do barco, recolhem velas e penas (algo recomendável) e mudam o foco, o tino e o bom humor. Recolhem também a bandeira do respeito à liberdade de expressão. Definitivamente, cara feia não substitui a boa informação, a transparência e a cordialidade necessária.
O munus público expõe e exige serenidade, sobriedade e disponibilidade para o contraditório e a prestação de contas ao cidadão-contribuinte. Castelos, palácios, fortes e bunkers não conseguem, por mais densas que sejam suas paredes, cercar o clamor por publicidade do que, em sua essência, é de domínio público.
Preservada a vida privada e a integridade moral de todo agente público, esteio do estado democrático de direito, ao cidadão é dado saber como são administrados os recursos públicos e o interesse coletivo.
Um país efetivamente democrático começa pela opção de cada um de nós, sobre que tipo de democracia queremos viver e praticar.
“Faça da tua vida um reflexo da sociedade que desejas” Mahatma Gandhi
Edilvo Mota
edilvomota@hotmail.com
http://saudenatela.blogspot.com
sexta-feira, 10 de junho de 2011
BRASIL: um país de canalhas !
Blog Reinaldo Azevedo
Análises políticas em um dos blogs mais acessados do Brasil
09/06/2011
O dia em que Battisti foi solto, e Palocci, aplaudido de pé
O terrorista homicida Cesare Battisti já está hospedado num hotel de Brasília. Seis ministros do Supremo Tribunal Federal — Luiz Fux, Carmen Lúcia, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski, Ayres Britto e Marco Aurélio de Mello — assim decidiram. Condenado à prisão perpétua na Itália em julgamento legítimo, na vigência de todas as prerrogativas próprias a um estado democrático e de direito, ele fugiu, teve negado o seu apelo à Corte Européia de Direitos Humanos e encontrou, finalmente, abrigo no Brasil. Volto ao tema no post abaixo deste. Quase ao mesmo tempo, naquela mesma Praça dos Três Poderes, Antonio Palocci se despedia da chefia da Casa Civil, e Gleisi Hoffmann assumia o seu lugar. Ao chegar à solenidade de posse da nova ministra, os presentes se levantaram e aplaudiram de pé o já ex-ministro. Era mais do que o simples reconhecimento pelo seu trabalho. Ali estava também um desagravo. Dilma Rousseff, a presidente da República, não teve comportamento mais prudente, como se verá.
E quem havia agravado o ministro? A verdade! Ao menos o que se sabe dela, já que parte diz respeito ao que Palocci pretende seja “sigilo profissional”. Afinal, como lembrou com ironia eloqüente Michel Temer, vice-presidente da República, “Palocci demonstrou lealdade a seus clientes”. Por isso mesmo, a lista das empresas às quais ele prestou serviço permanecerá secreta. Não é da conta dos brasileiros; coisa do empresário Palocci.
A política brasileira tem, sim, muitos vícios, alguns bem antigos, que antecedem a chegada do PT ao poder. Eram e são males profundos, que não se removem facilmente. Basta, no entanto, que a sociedade se eduque no cumprimento da lei e na exigência do seu cumprimento, e haverá sensível melhora. Apelemos a personagens para que o assunto ganhe concretude. Vejam o caso de Paulo Maluf, que ainda está por aí, exercendo uma influência não mais do que marginal no processo político. Criou-se na ditadura, ganhou sobrevida na democracia, mas não chegou a constituir um projeto de poder, uma quase escola de pensamento, uma “ética”. O homem era um romântico naquela arte em que o PT se tornaria um especialista. Maluf é uma espécie de “herói” solitário naquela sua “profissão”, não a política. O PT já é um sistema.
Notem: sempre que Maluf foi acusado de alguma coisa, mesmo diante da evidência escancarada do malfeito, a sua reação inevitável era esta: “Não fui eu!” Aparecia grana na Suíça em seu nome? “Se tiver dinheiro lá em nome de Paulo Maluf, podem retirar”. Vale dizer: em seu estonteante mau gosto político, ético e moral, ele teve o bom senso ao menos de nunca tentar nos convencer de que o crime é uma virtude. Ele sabe que o errado é errado e que o certo é certo. E sabe que a gente sabe. Então ele… nega! Sem que a Justiça lhe tenha dado, certamente, o tratamento merecido, o fato é que se tornou um político marginal, reduzido à expressão quase folclórica. Se os juízes não conseguiram tirar de circulação, os eleitores o fizeram, restando alguns poucos fiéis, suficientes para elegê-lo deputado, mas não para lhe dar o poder. Quando morrer, levará consigo uma técnica e uma “tecnologia”, intransferível em muitos aspectos.
Outra natureza
O petismo é de outra natureza, e agora caracterizo melhor o que considero a sua contribuição original ao estoque de vícios antigos. O PT, desde sempre, apresentou-se como um partido da ordem, porém hostil a ela. Mesmo no poder, decide quais leis são postas em prática e quais não são; quais merecem a atenção diligente do estado e quais não merecem. E como foi que o partido logrou êxito nesse empreendimento? Distinguindo, no ambiente público, as “verdades que são da lei” das “verdades que são da política”, de sorte que esta abrigaria práticas que, embora não consagradas naquela, devem ser mais do que toleradas; devem mesmo ser consagradas.
Não é por outro motivo que todos — eu disse “TODOS” — os mensaleiros e aloprados estão de volta ao partido, recebidos com festa e deferência. Eles fizeram coisas que, para o petismo, são condenáveis apenas na esfera legal, mas não na esfera política. Alguém poderia indagar: “Mas por que isso é diferente de Maluf? É a mesma coisa!” Não! Para os petistas, a infração legal é uma necessidade imperiosa do jogo; é ela que rompe o círculo do conservadorismo cultivado por seus inimigos, todos comprometidos com o atraso, entenderam? Um Maluf nega que tenha transgredido a lei; um petista tentará provar que só o fez para o bem do Brasil e dos brasileiros e em nome de um futuro glorioso. Não existe, em suma, interdição legal, moral ou ética para um petista. A necessidade do partido dita a sua ação.
Em seu discurso de despedida, depois de aplaudido de pé logo à chegada, Palocci evocou a recusa de Roberto Gurgel, procurador-geral da República (personagem muito saliente também no caso Battisti; já falo a respeito), de determinar a abertura de inquérito para investigar seu súbito enriquecimento. Tomou aquele texto como evidência de que não transgrediu nenhuma regra. Nesse particular, apelava ao procurador-geral para se sair à moda Maluf: “Não fiz nada; não fui eu”. Mas soltou a frase fatal, que, afinal, evidenciava que ali estava um petista algo diferenciado — bonachão, boa-praça, bom papo, “de mercado” —, mas petista ainda assim. Mandou ver:
“O mundo jurídico não trabalha no mesmo diapasão do mundo político”. Bingo!
Se, tradicionalmente, os petistas se criam sustentando a legitimidade política de certas ações, ainda que elas sejam ilegais, Palocci submetia essa oposição a uma ligeira torção, mas mantendo sempre a suposta contradição: estaria deixando a Casa Civil porque, embora nada houvesse de legal contra ele (o “mundo jurídico”), havia uma interdição de natureza política. Que gente formidável! Se, tradicionalmente, o PT sempre usou a legitimidade para apontar o caráter falível da ordem jurídica, Palocci usava a ordem jurídica para apontar o caráter falível da política. De hábito, o PT se mostra hostil à lei em nome da verdade política; ontem, Palocci se mostrava hostil à política em nome da verdade da lei. A muitos não terá escapado que o que chamava de “mundo jurídico” era só a decisão do procurador-geral a República, polêmica para dizer o mínimo. Afinal, dela se extrai como corolário que um corrupto que pague impostos — estou falando em tese — pode se criar no moto-contínuo da corrupção: nada se investiga porque não há indícios, e não há indícios porque nada se investiga.
E por que Palocci caiu? Como Roberto Gurgel não se interessou pelo seu caso, ele, então, chama de coisa do “mundo da política” o fato de ter se tornado um robusto milionário em quatro anos, tendo recebido parte da fortuna — R$ 20 milhões — em ano eleitoral, R$ 10 milhões dessa bolada quando já organizava o futuro governo. COISA DO MUNDO DA POLÍTICA, A SER APLAUDIDA DE PÉ!
O mau passo de Dilma
Depois de ter demonstrado um comportamento omisso e errático na crise — e que se expõe, a meu ver, na escolha de Gleisi Hoffmann para a Casa Civil —; depois de ter permitido que Lula irrompesse na cena política como condestável da República; depois de ver seu próprio partido refugar no apoio àquele que era, na prática, o seu primeiro-ministro, Dilma toma uma decisão. Nesta quarta-feira, ao se despedir de Palocci, afirmou:
“Eu estaria mentido se dissesse que não estou triste. Tenho muitos motivos para lamentar a saída de Palocci. Motivos de ordem política, pelo papel que desempenhou na minha campanha, administrativa pelo papel que tinha e teria no meu governo. Motivo de ordem pessoal pela amizade que construímos.”
As palavras fazem sentido. Nos discursos, fazem história. Ao afirmar “eu estaria mentindo se…”, Dilma está admitindo que, dado o que Palocci fez, ela não deveria estar triste coisa nenhuma. Ali estava uma demissão por mérito. Muito humana, no entanto, ela se entristecia. E sua voz ficou embargada, o que foi destacado nos telejornais. Como notei aqui, depois de assistir à reportagem do Jornal Nacional, não tive dúvida: víamos tombar um herói. Parecia cair porque virtuoso demais!
A emoção de Dilma levou os presentes a um segundo desagravo. Mais uma vez, levantaram-se todos e aplaudiram de pé! E, aí, Dilma deu o grande mau passo: olhando para Palocci, com as mãos ligeiramente estendidas em sua direção, ela também o aplaudiu. E ISSO, DEFINITIVAMENTE, DEPÔS CONTRA A PRESIDENTE DA REPÚBLICA.
Poderia, em privado, aplaudir Palocci “politicamente, administrativamente e pessoalmente”, mas jamais em público. Presidentes não são macacas de auditório; presidentes não são claque; presidentes não fazem desagravos pessoais a subordinados que estão deixando o cargo porque não têm condições éticas de continuar. Ao fazê-lo, Dilma estava aplaudindo mais do que um homem; aplaudiu também um método, que, como se percebe, não pode ser trazido à luz da República.
Palocci se faz, assim, um homem singular dentro daquela singularidade petista que caracterizei aqui. Envolvido num crime contra uma garantia constitucional — a quebra do sigilo do caseiro Francenildo Costa —, foi reabilitado, ganhou alguns milhões e se tornou a principal figura do governo Dilma. Tendo caído uma segunda vez, parte do mundo político e da imprensa, de novo, prestou-lhe reverência, como se, antes e agora, sua queda não tivesse sido determinada por escolhas que ele próprio fez.
A corrupção do PT vai muito além de questões que dizem respeito aos cofres públicos. Corrompem-se os costumes. Corrompe-se a própria noção do certo e do errado. E por isso muitos aplaudiram o ministro de pé, inclusive a presidente da República.
Análises políticas em um dos blogs mais acessados do Brasil
09/06/2011
O dia em que Battisti foi solto, e Palocci, aplaudido de pé
O terrorista homicida Cesare Battisti já está hospedado num hotel de Brasília. Seis ministros do Supremo Tribunal Federal — Luiz Fux, Carmen Lúcia, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski, Ayres Britto e Marco Aurélio de Mello — assim decidiram. Condenado à prisão perpétua na Itália em julgamento legítimo, na vigência de todas as prerrogativas próprias a um estado democrático e de direito, ele fugiu, teve negado o seu apelo à Corte Européia de Direitos Humanos e encontrou, finalmente, abrigo no Brasil. Volto ao tema no post abaixo deste. Quase ao mesmo tempo, naquela mesma Praça dos Três Poderes, Antonio Palocci se despedia da chefia da Casa Civil, e Gleisi Hoffmann assumia o seu lugar. Ao chegar à solenidade de posse da nova ministra, os presentes se levantaram e aplaudiram de pé o já ex-ministro. Era mais do que o simples reconhecimento pelo seu trabalho. Ali estava também um desagravo. Dilma Rousseff, a presidente da República, não teve comportamento mais prudente, como se verá.
E quem havia agravado o ministro? A verdade! Ao menos o que se sabe dela, já que parte diz respeito ao que Palocci pretende seja “sigilo profissional”. Afinal, como lembrou com ironia eloqüente Michel Temer, vice-presidente da República, “Palocci demonstrou lealdade a seus clientes”. Por isso mesmo, a lista das empresas às quais ele prestou serviço permanecerá secreta. Não é da conta dos brasileiros; coisa do empresário Palocci.
A política brasileira tem, sim, muitos vícios, alguns bem antigos, que antecedem a chegada do PT ao poder. Eram e são males profundos, que não se removem facilmente. Basta, no entanto, que a sociedade se eduque no cumprimento da lei e na exigência do seu cumprimento, e haverá sensível melhora. Apelemos a personagens para que o assunto ganhe concretude. Vejam o caso de Paulo Maluf, que ainda está por aí, exercendo uma influência não mais do que marginal no processo político. Criou-se na ditadura, ganhou sobrevida na democracia, mas não chegou a constituir um projeto de poder, uma quase escola de pensamento, uma “ética”. O homem era um romântico naquela arte em que o PT se tornaria um especialista. Maluf é uma espécie de “herói” solitário naquela sua “profissão”, não a política. O PT já é um sistema.
Notem: sempre que Maluf foi acusado de alguma coisa, mesmo diante da evidência escancarada do malfeito, a sua reação inevitável era esta: “Não fui eu!” Aparecia grana na Suíça em seu nome? “Se tiver dinheiro lá em nome de Paulo Maluf, podem retirar”. Vale dizer: em seu estonteante mau gosto político, ético e moral, ele teve o bom senso ao menos de nunca tentar nos convencer de que o crime é uma virtude. Ele sabe que o errado é errado e que o certo é certo. E sabe que a gente sabe. Então ele… nega! Sem que a Justiça lhe tenha dado, certamente, o tratamento merecido, o fato é que se tornou um político marginal, reduzido à expressão quase folclórica. Se os juízes não conseguiram tirar de circulação, os eleitores o fizeram, restando alguns poucos fiéis, suficientes para elegê-lo deputado, mas não para lhe dar o poder. Quando morrer, levará consigo uma técnica e uma “tecnologia”, intransferível em muitos aspectos.
Outra natureza
O petismo é de outra natureza, e agora caracterizo melhor o que considero a sua contribuição original ao estoque de vícios antigos. O PT, desde sempre, apresentou-se como um partido da ordem, porém hostil a ela. Mesmo no poder, decide quais leis são postas em prática e quais não são; quais merecem a atenção diligente do estado e quais não merecem. E como foi que o partido logrou êxito nesse empreendimento? Distinguindo, no ambiente público, as “verdades que são da lei” das “verdades que são da política”, de sorte que esta abrigaria práticas que, embora não consagradas naquela, devem ser mais do que toleradas; devem mesmo ser consagradas.
Não é por outro motivo que todos — eu disse “TODOS” — os mensaleiros e aloprados estão de volta ao partido, recebidos com festa e deferência. Eles fizeram coisas que, para o petismo, são condenáveis apenas na esfera legal, mas não na esfera política. Alguém poderia indagar: “Mas por que isso é diferente de Maluf? É a mesma coisa!” Não! Para os petistas, a infração legal é uma necessidade imperiosa do jogo; é ela que rompe o círculo do conservadorismo cultivado por seus inimigos, todos comprometidos com o atraso, entenderam? Um Maluf nega que tenha transgredido a lei; um petista tentará provar que só o fez para o bem do Brasil e dos brasileiros e em nome de um futuro glorioso. Não existe, em suma, interdição legal, moral ou ética para um petista. A necessidade do partido dita a sua ação.
Em seu discurso de despedida, depois de aplaudido de pé logo à chegada, Palocci evocou a recusa de Roberto Gurgel, procurador-geral da República (personagem muito saliente também no caso Battisti; já falo a respeito), de determinar a abertura de inquérito para investigar seu súbito enriquecimento. Tomou aquele texto como evidência de que não transgrediu nenhuma regra. Nesse particular, apelava ao procurador-geral para se sair à moda Maluf: “Não fiz nada; não fui eu”. Mas soltou a frase fatal, que, afinal, evidenciava que ali estava um petista algo diferenciado — bonachão, boa-praça, bom papo, “de mercado” —, mas petista ainda assim. Mandou ver:
“O mundo jurídico não trabalha no mesmo diapasão do mundo político”. Bingo!
Se, tradicionalmente, os petistas se criam sustentando a legitimidade política de certas ações, ainda que elas sejam ilegais, Palocci submetia essa oposição a uma ligeira torção, mas mantendo sempre a suposta contradição: estaria deixando a Casa Civil porque, embora nada houvesse de legal contra ele (o “mundo jurídico”), havia uma interdição de natureza política. Que gente formidável! Se, tradicionalmente, o PT sempre usou a legitimidade para apontar o caráter falível da ordem jurídica, Palocci usava a ordem jurídica para apontar o caráter falível da política. De hábito, o PT se mostra hostil à lei em nome da verdade política; ontem, Palocci se mostrava hostil à política em nome da verdade da lei. A muitos não terá escapado que o que chamava de “mundo jurídico” era só a decisão do procurador-geral a República, polêmica para dizer o mínimo. Afinal, dela se extrai como corolário que um corrupto que pague impostos — estou falando em tese — pode se criar no moto-contínuo da corrupção: nada se investiga porque não há indícios, e não há indícios porque nada se investiga.
E por que Palocci caiu? Como Roberto Gurgel não se interessou pelo seu caso, ele, então, chama de coisa do “mundo da política” o fato de ter se tornado um robusto milionário em quatro anos, tendo recebido parte da fortuna — R$ 20 milhões — em ano eleitoral, R$ 10 milhões dessa bolada quando já organizava o futuro governo. COISA DO MUNDO DA POLÍTICA, A SER APLAUDIDA DE PÉ!
O mau passo de Dilma
Depois de ter demonstrado um comportamento omisso e errático na crise — e que se expõe, a meu ver, na escolha de Gleisi Hoffmann para a Casa Civil —; depois de ter permitido que Lula irrompesse na cena política como condestável da República; depois de ver seu próprio partido refugar no apoio àquele que era, na prática, o seu primeiro-ministro, Dilma toma uma decisão. Nesta quarta-feira, ao se despedir de Palocci, afirmou:
“Eu estaria mentido se dissesse que não estou triste. Tenho muitos motivos para lamentar a saída de Palocci. Motivos de ordem política, pelo papel que desempenhou na minha campanha, administrativa pelo papel que tinha e teria no meu governo. Motivo de ordem pessoal pela amizade que construímos.”
As palavras fazem sentido. Nos discursos, fazem história. Ao afirmar “eu estaria mentindo se…”, Dilma está admitindo que, dado o que Palocci fez, ela não deveria estar triste coisa nenhuma. Ali estava uma demissão por mérito. Muito humana, no entanto, ela se entristecia. E sua voz ficou embargada, o que foi destacado nos telejornais. Como notei aqui, depois de assistir à reportagem do Jornal Nacional, não tive dúvida: víamos tombar um herói. Parecia cair porque virtuoso demais!
A emoção de Dilma levou os presentes a um segundo desagravo. Mais uma vez, levantaram-se todos e aplaudiram de pé! E, aí, Dilma deu o grande mau passo: olhando para Palocci, com as mãos ligeiramente estendidas em sua direção, ela também o aplaudiu. E ISSO, DEFINITIVAMENTE, DEPÔS CONTRA A PRESIDENTE DA REPÚBLICA.
Poderia, em privado, aplaudir Palocci “politicamente, administrativamente e pessoalmente”, mas jamais em público. Presidentes não são macacas de auditório; presidentes não são claque; presidentes não fazem desagravos pessoais a subordinados que estão deixando o cargo porque não têm condições éticas de continuar. Ao fazê-lo, Dilma estava aplaudindo mais do que um homem; aplaudiu também um método, que, como se percebe, não pode ser trazido à luz da República.
Palocci se faz, assim, um homem singular dentro daquela singularidade petista que caracterizei aqui. Envolvido num crime contra uma garantia constitucional — a quebra do sigilo do caseiro Francenildo Costa —, foi reabilitado, ganhou alguns milhões e se tornou a principal figura do governo Dilma. Tendo caído uma segunda vez, parte do mundo político e da imprensa, de novo, prestou-lhe reverência, como se, antes e agora, sua queda não tivesse sido determinada por escolhas que ele próprio fez.
A corrupção do PT vai muito além de questões que dizem respeito aos cofres públicos. Corrompem-se os costumes. Corrompe-se a própria noção do certo e do errado. E por isso muitos aplaudiram o ministro de pé, inclusive a presidente da República.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Sábado, 04 de junho, passeando com minha esposa pelo centro de Araguari, enfim avistei o famoso "toco" da praça Manoel Bonito. Como o Adriano do jornal Diário havia feito uma charge, onde o toco se lançava candidato a prefeito de Araguari, resolvi exercitar meu bom humor: coisa rara num sujeito rabugento como eu...
Posei pra foto abaixo e postei o Facebook, me lançando candidato a canditado a VICE na chapa do toco.
Eis que me dizem que alguns no "palácio" ficaram com ódio de mim. Santa falta de bom humor e de serenidade para exercer função pública.
Afinal, não fui eu quem cortou as árvores. Não fui eu quem deixou o toco. E não seria eu quem ameaçaria as candidaturas de poderosos, devidamente capitalizados.
Só faltava essa: censurarem o bom humor!!! Valha-nos Deus...
Posei pra foto abaixo e postei o Facebook, me lançando candidato a canditado a VICE na chapa do toco.
Eis que me dizem que alguns no "palácio" ficaram com ódio de mim. Santa falta de bom humor e de serenidade para exercer função pública.
Afinal, não fui eu quem cortou as árvores. Não fui eu quem deixou o toco. E não seria eu quem ameaçaria as candidaturas de poderosos, devidamente capitalizados.
Só faltava essa: censurarem o bom humor!!! Valha-nos Deus...
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