segunda-feira, 7 de junho de 2010

NUTRIÇÃO E SAÚDE

(Artigo publicado em minha coluna semanal "Painel", no jornal Diário de Araguari, edição de 08.06.2010)

A convivência e a interação em sala de aula são, sob todos os aspectos, enriquecedoras para alunos e professores. Imprescindível, acima de tudo, o diálogo e a contextualização dos temas que compõem a ementa de cada disciplina.

Curioso notar (e comprovar) que as diversas áreas do conhecimento convergem para um único objetivo: a satisfação das demandas do ser humano, tanto na seara individual quanto no aspecto coletivo.

Nas aulas do curso de Nutrição, dentro da disciplina “Administração em Saúde Pública”, é feita uma abordagem macro do sistema público de saúde, desde a colonização do Brasil até os dias atuais, passando pelas diversas fases da evolução – penosa – do setor, ao longo do tempo.

Ao traçar as linhas estruturais do Sistema Único de Saúde, a Lei Orgânica da Saúde (Lei 8080/90) inseriu a vigilância nutricional e a orientação alimentar dentre as atribuições básicas do sistema.

Entretanto, ao longo dos tempos esta dimensão da saúde coletiva não tem recebido a atenção adequada dos governos; ainda que tenhamos tentado ampliar o espectro de atuação da Nutrição e, via de conseqüência, seu quadro funcional. Tentativas estas frustradas pelo recorrente discurso do “inchaço da folha de pagamento”; ainda que esse inchaço fosse provocado, em parte, pela invasão de cargos de confiança que, em muitos casos, não se justificam e não atendem ao interesse público.

Fato é que, sem priorização da saúde coletiva como política social, sem planejamento e sem determinação política, a vigilância nutricional (como as demais ações de saúde) segue esquecida num sistema que privilegia a doença, em detrimento da prevenção e da promoção da saúde.

No último sábado, debatendo com alunos do curso de Gestão Pública sobre a execução e gestão das políticas sociais, um dos alunos, servidor público da saúde em Uberlândia, comentou que naquele município, com base nos relatórios epidemiológicos, a gestão municipal da saúde decidiu priorizar a Nutrição como um dos pilares do sistema. Notadamente por concluir, com óbvia e tardia razão, que parte dos problemas da saúde coletividade podem (e devem) ser evitados com uma correta abordagem da problemática nutricional, possibilitando, inclusive, redução de gastos com tratamentos futuros.

Quiçá possamos, num futuro bem próximo, mudar o foco e incluir a Nutrição como prioridade em todas as ações do Sistema Único de Saúde.

Boa semana a todos.

edilvomota@hotmail.com
http://saudenatela.blogspot.com

Um comentário:

Marcos disse...

A Nutrição já é considerada pelos gestores um dos pilares da saúde coletiva... Em Uberlândia, obviamente...
Diersamente, em Araguari, a prioridade é gastar mal os recursos públicos, também, na área da saúde. E o rio de dinheiro público corre sempre para o mesmo lugar: o bolso dos médicos e dos empresários do setor (donos de clínicas, associações supostamente sem fins lucrativos, etc.).
Saco vazio não para em pé, diz a sabedoria popular. Oxalá a povo, um dia, fique de saco cheio (não necessariamente no sentido nutricional).