terça-feira, 30 de novembro de 2010

UM RIO CHAMADO BRASIL

(Artigo publicado em minha coluna semanal "Painel", no jornal "Diário de Araguari")


Assunto da moda em todo programa de televisão, em toda mesa de buteco e toda roda de fofoca, a guerra urbana instalada na cidade do Rio de Janeiro, desde a semana anterior, merece uma profunda reflexão sobre suas causas.

O descaso da administração pública com a concepção e manutenção de políticas públicas eficientes e eficazes, aliada à falta de foco no cidadão - mantenedor do sistema através de impostos e maior vítima da incúria, da incompetência e da má-fé - são algumas das causas do caos social que assola o país.

O cidadão brasileiro se tornou refém de sistemas públicos ineficientes, sucateados e abandonados à própria sorte. No vértice desse triângulo de horrores, que de bermuda, de saia ou pelado provoca arrepios em qualquer um, está grande parcela dos detentores de mandatos políticos. Salvo honrosas e poucas exceções, a maioria dos que se lançam ao exercício de funções políticas, seja no legislativo ou executivo, tem olhos apenas para o próprio umbigo e o próprio patrimônio. Pouquíssimos passariam pelo crivo de um “vestibular” onde tivessem que discorrer sobre o papel do Estado, sobre elaboração de políticas públicas, sobre responsabilidade fiscal e princípios da administração pública. Uma fatia menor ainda se atreveria a prestar contas, publicamente, de todos os seus atos.

Daí que, a criação de poderes paralelos, estruturados em facções criminosas, não só foi tolerada como incentivada por indivíduos que sempre viram no cargo público um fim e não um meio de servir à sociedade. São os malandros oficiais (parodiando Chico Buarque de Hollanda).

Voltando ao caso da cidade do Rio de Janeiro, não basta as forças policiais e militares retomarem o espaço físico. Caberá ao poder público, ainda que tardiamente, planejar, executar e fiscalizar ações de atenção às necessidades básicas do cidadão. E noutra seara, cuidar para que, definitivamente, todos acreditem que, de fato, vale a pena cumprir a lei tendo a certeza de que o Estado também cumprirá suas atribuições legais. Caso contrário, o espetáculo dantesco de tiroteios em via pública se tornará uma (lamentável) rotina.

E que o restante do país cuide de repensar nosso presente e construir um futuro mais digno para cada um de nós.
Boa semana...

edilvomota@hotmail.com
HTTP://saudenatela.blogspot.com

Um comentário:

Marcos disse...

Você está certo, Edilvo. Se o Estado não se fizer presente, não der o exemplo e não promover um choque de legalidade, de nada adiantará a cinematográfica ocupação de morros. Se o Estado permanecer omisso e corrupto, essas operações, no máximo, servirão de mote para o Tropa de Elite 3.