sexta-feira, 19 de março de 2010

Depois de um tempão sem movimento, decidi ativar de vez meu blog "Saúde na Tela", reproduzindo aqui a série de artigos de minha coluna semanal, no jornal Diário de Araguari. Vamos ver no que dá isso...


TEMPOS ESTRANHOS

Edilvo Mota

O texto é a vazão da alma em espaço delimitado pela razão e o instinto.

Falar das coisas cotidianas sem o registro impresso, deixa sempre a sensação de que algo deixou de ser dito; ou de que muito se falou inutilmente.

A prosa, o verso, a resenha são algumas das formas de emoldurar idéias, momentos e fatos da vida, dando contornos especiais ao que se toma, eventualmente, como banal.

A liberdade de expressão, consagrada como direito fundamental, é o ponto de partida para mudanças, correções de rotas e construção do novo status de sociedade que tarda em se consolidar no país.

A mesma sociedade que clama por inclusão e justiça social, resiste em extirpar de suas entranhas tumores que corroem a esperança e o futuro. Notadamente, na tolerância passiva, quase cúmplice do desatino e desapego com que, de forma geral, se trata a gestão da coisa pública no país.

Preceitos éticos perderam espaço para a esperteza. E parte dessa culpa pode ser vista no próprio espelho, na casa de cada um; ou ainda, numa rápida olhadela no próprio título de eleitor.

Compra de votos? Transformou-se numa espécie de anedota, requentada de tempos em tempos com a criminosa conivência de ambos os lados. E a famosa mania de levar na brincadeira todo tipo de ação delituosa.

Falta de transparência? Quem há de reclamar, se o próprio cidadão evita assuntos “chatos” como a discussão de políticas públicas, audiências públicas e reuniões de conselhos comunitários?

Despreparo gerencial? Há décadas se resolve essa pendenga agregando, estrategicamente, amigos, companheiros de primeira hora(sic) e apaniguados em cargos de comando. Essa história de currículo é uma chatice que somente “pega” na iniciativa privada.

Fiscalização? Historicamente, costuma ser de um afrouxamento generoso, seguindo a tendência de “não criar arestas políticas”. Prevalece sempre a surrada tese do “eu não sabia”, “isto não é da minha alçada”.

Enquanto isso tudo acontece, a maioria da população (os que conseguem emprego ou oportunidade para empreender) trabalha duro e paga a mais alta e injusta carga tributária do mundo. Exatamente para sustentar um modelo de representação política falido e que, de fato, em nada representa os anseios dessa maioria decente que espera - há tempos – um tempo de justiça social e econômica.

A recente prisão preventiva do governador do Distrito Federal, determinada pelo Superior Tribunal de Justiça, não resolve por si a questão. Mas pode ser um bom indício de que, enfim, o país tenha se cansado da ópera bufa e tenha resolvido agir.

A confirmar...

Um comentário:

Marcos disse...

Parabéns, Edilvo!
Não somente pela volta do blog, mas também pela sua consciência política e indiscutível conhecimento técnico.
Só temos a ganhar com o retorno do blog. Espero que toda dia o senhor sinta falta de blogar.