terça-feira, 4 de janeiro de 2011

DE NOVO, TUDO DO MESMO

(Artigo enviado ao jornal "Diário de Araguari", para a coluna "Painel")


DE NOVO, TUDO DO MESMO

O debate e o embate da campanha eleitoral de 2010, para a Presidência da República, revelaram um nível abaixo do aceitável.

Baixada a poeira do tropel e os empurrões, tapas, rolos de papel e saquinhos d’água; desmontados os palanques, eis que imediatamente após a posse da presidente (ou presidenta, como queiram) a imprensa noticia, nesse 03 de janeiro, a intenção do governo federal de privatizar a ampliação dos aeroportos brasileiros. E, de quebra, propor a abertura do capital da Infraero.

O “fantasma” da privatização tomou um enorme espaço no horário eleitoral e nos modorrentos debates (haja saco!). E agora ressurge, ainda na ressaca do recesso num país pouco afeito ao trabalho.

Não se propõe aqui a reabertura da discussão sobre a privatização. Afinal, opinião é como nariz (para ser mais sutil); cada um tem a sua. O inaceitável é o engodo, a dissimulação como forma de estelionato eleitoral.

O que mais uma vez fica evidente é a desfaçatez dos políticos em geral com o eleitor e, por tabela, com o município, o estado e o país. A falta de uma discussão clara e efetiva sobre as políticas públicas e as alternativas para um futuro sustentável e com justiça econômica e social, vem sustentando nosso atraso em relação ao restante do mundo. Principalmente em setores como a infraestrutura, saúde e educação.

Independentemente da ideologia, da tendência, da opção política de cada um de nós, o que se exige é que um dia, afinal, tenhamos um sistema político-eleitoral minimamente ético, decente e propositivo. A sociedade não pode continuar, eternamente, custeando com trabalho, suor e impostos a ineficiência, a corrupção, os desmandos e a baixa qualidade da média dos atores políticos.

Enquanto tivermos campanhas eleitorais recheadas de calúnias, factóides e mentiras e vazias de propostas, estaremos fadados a viver a síndrome de vira-latas. Afinal, ideologia não enche barriga de ninguém. A não ser de meia dúzia de compadres.

Nunca na história deste país se viu algo tão igual ao que era antes...

Um comentário:

Rodolfo Paranhos disse...

Isso é só o começo... Torço para que privatizem o mínimo possível e que se cumpra pelo menos 10% do que foi prometido. Aquele velho ditado: "Cada povo tem o governo que merece".

Lamentável!